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24/09/2010 - 11h46 - Atualizado em 22/05/2012 - 12h43

O amor não tem idade

Por Bianca Chaer, aluna do 1º ano de Jornalismo

Relato sobre o primeiro e último amor em “Ensina-me a Viver”

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Reprodução
Os atores Arlindo Lopes e Glória Menezes

Adaptação teatral do filme Harold and Maude, sucesso de Colling Higgins na década de 70, a peça Ensina-me a Viver, dirigida por João Falcão, conta a história de um garoto depressivo, que cultiva o mórbido hábito de frequentar funerais e simular suicídios, e de uma octogenária apaixonada pela vida. O romance entre essas duas pessoas tão distintas não poderia ser mais inusitado. Entretanto, quando Harold resolve dar uma chance e deixar Maude se aproximar, percebe que a sintonia entre os dois é imediata, e desta amizade, surge uma improvável história de amor; o primeiro de um homem e o último de uma mulher.

Maude é vivida por Glória Menezes, perfeita para o papel. A atriz capta as mais sutis características da personagem, tornando-a mais real e engraçada, ainda que sem tirar-lhe a seriedade e emoção. Arlindo Lopes, idealizador do espetáculo, também está excelente no papel de Harold, que evolui ao longo da peça, e se transforma – o que exige do ator uma atuação ainda mais cuidadosa e detalhista.

Ilana Kaplan, atriz que participou da primeira formação do Terça Insana, interpreta a excêntrica Helena Chasen, mãe de Harold, que é indiferente e distante. Fernanda de Freitas e Augusto Madeira surpreendem, mostrando incrível versatilidade. Augusto tem seis personagens, entre elas um padre, um policial e um detetive – todos em cena ao mesmo tempo.  A troca de figurino é muito rápida, e quando não há essa possibilidade, a mudança é de ator. Fernanda também é polivalente na peça, e interpreta as três pretendentes de Harold, todas engraçadíssimas e muito bem caracterizadas – mal percebe-se que são vividas pela mesma atriz.

O cenário de Sérgio Marimba é minimalista, mas encantador. Agregando elementos circenses, apresenta uma proposta dinâmica que nos permite, em um instante, embarcar na mistura de realidade e fantasia feita por Maude e no momento seguinte, penetrar na vida cotidiana e cinzenta levada por Harold.

A trilha sonora de Rodrigo Penna também contribui com o clima de picadeiro sugerido pelo cenário, e adota como tema romântico Elephant Gun, da banda americana Beirut. O arranjo exprime, ao mesmo tempo, a personalidade cigana de Maude e a melancolia de Harold, o que torna a faixa perfeita para o casal.

Kika Lopes apostou num figurino discreto, mas que diz muito sobre cada personagem, e sobre as mudanças que acontecem com elas. Glória Menezes entra em cena sempre colorida, com peças únicas e divertidas, exatamente como sua Maude, enquanto Arlindo Lopes passa por uma metamorfose, e essa transformação é perceptível nas vestimentas de Harold.

A única ressalva é quanto à adaptação, de Millôr Fernandes, e ao tom cômico que se sobressaiu na montagem. As comédias podem agradar a maior parte dos espectadores, e atrair um público que não é tipicamente do teatro. Entretanto, provoca um riso constante por parte da plateia, que pode incomodar em alguns instantes, e tirar um pouco da profundidade da trama, distanciando-se do texto original. Isso faz com que os raros momentos mais densos da montagem se tornem piegas, e com que algumas lições de vida pareçam clichês.

A produção de Maria Siman está em temporada popular, com ingressos a R$ 30,00 e ficará em cartaz até 10 de outubro, no teatro Tuca, em Perdizes. Confiram, Ensina-me a Viver, um espatáculo que discute a relação humana em diversos níveis, e fala de uma existência plena, livre de julgamentos ou limites. Aproxima-se do público ao falar de um amor não convencional, e mostra que o coração de quem não desistiu, é sempre jovem.



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