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09/09/2010 - 19h01 - Atualizado em 22/05/2012 - 23h14

Amor em doses homeopáticas

Por Rodrigo Oliveira, Editor do site

Em "Harry e Sally - Feitos Um Para o Outro" dilemas dos protagonistas são tratados com bom humor

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Reprodução
Cena do filme

Uma viagem de carro, partindo de Chicago rumo à Nova York. A partir dessa ação que o futuro casal Harry (Billy Crystal) e Sally (Meg Ryan) começa a questionar as atuais situações de suas vidas, no longa de Rob Reiner, Harry e Sally - Feitos Um Para o Outro. Dezoito horas não foram suficientes para sanar todas as dúvidas ao longo do percurso, por isso a história dá um salto de cinco anos, mostrando um inusitado reencontro, em um avião com destino não pronunciado durante o filme. Por falar em destino, o do casal começava a ser traçado.

A declaração de Harry de que homens e mulheres não podem ser amigos, porque o sexo atrapalharia esse tipo de sentimento desinteressado, dá o pontapé inicial para as conversas espirituosas com Sally. Pontos de vistas são expostos, caracterizando a história, nesse instante, como uma simpática guerra dos sexos, pois ele, até então, mantém uma visão objetiva a respeito de relacionamentos com o sexo oposto e Sally rebate, ao impor uma perspectiva romântica - e um tanto distorcida - demonstrando o quão inflexível pode ser, ao pronunciar o modo de crer nas relações entre homem e mulher, destacando o seu desconforto ao confrontar as opiniões incisivas de seu futuro parceiro.

Somente uma década após o primeiro encontro, a amizade deles se consolida. Ambos passam por uma fase delicada - pois a esposa rompe a relação com Harry e o namoro de Sally chega ao fim - e esse momento propicia uma aproximação, fazendo com que as discussões abram espaço para conselhos e o alarde seja substituído pela cordialidade e compreensão.
 
Essa transição é bem pontuada com o auxílio do elenco escalado. Tanto Ryan como Crystal, convencem em suas conversas ácidas e em determinadas cenas tratam o enlace entre suas personagens com total naturalidade. Temas como sexo são recorrentes nas discussões e os atores superam as expectativas. Ele, com sua feição indiferente a comentários feitos por Sally. Já ela, possui momentos marcantes, como quando simula um orgasmo em uma lanchonete, acompanhada de Harry.

Nova York como pano de fundo, datas comemorativas como natal e reveillon - época em que as pessoas se tornam mais ternas - e citações do cinema bem empregadas, como a do filme Casablanca, onde o final aponta o início de uma bela amizade, são alguns dos ganchos encontrados pela roteirista Nora Efron, que a partir desses elementos reúne justificativas para as constantes construções de clímax. A premissa simples, a princípio, certamente agradaria apenas aos adeptos de comédias românticas, mas a história transcende todos os artifícios presentes em filmes do gênero - duas pessoas que discutem excessivamente é porque escondem forte sentimento por trás desse disfarce. A roteirista usa a tática, mas não a banaliza, mostrando ao espectador que seu script estruturado por clichês, vai além do rótulo de obra primária.

Jogos, álibis, destinos traçados, amizades interrompidas para o nascimento de um amor consciente. O longa de Reiner delimita o espaço que cabe a cada uma das personagens, mas se destaca ao nos presentear com a mistura de conflitos existentes na vida de homens e mulheres, sanando as confusões em suas cabeças com argúcia e muito bom humor.



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