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26/08/2010 - 13h22 - Atualizado em 21/05/2012 - 20h19

Quando a moda vira arte e a arte vira moda

Por Louise Fidelis Solla, aluna do 2º ano de Jornalismo

A exposição “Yves Saint Laurent”, no Petit Palais, dá uma aula sobre a arte de fazer moda

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Reprodução
Croqui da coleção de alta costura, 1988

A exposição Yves Saint Laurent, que ocorre no Petit Palais em Paris, traz mais de 307 modelos de alta costura e prêt-à-porter. Estão exibidos pelo palácio, além de rascunhos, filmes e fotos inéditas, como todo o ensaio que contém imagens de Yves Saint Laurent nu, clicadas por Jeanlup Stieff. Até uma recriação do ateliê de Yves Saint Laurent foi realizada.

A visita começa com uma sala dedicada ao material produzido pelo estilista na época que desenhava para a marca Dior, no final da década de 50. A simplicidade e sofisticação são aspectos marcantes das peças selecionadas. Muitas cores escuras e sóbrias, iluminadas pelas jóias que impressionam pelo tamanho e luminosidade. Os chapéus também chamam atenção, já que estão presentes em todas as salas, tirando a seriedade das peças perfeitamente construídas.

Logo em seguida está a coleção chamada La Révolution des Genres, que trata de uma característica bastante presente no trabalho de Yves Saint Laurent, que é a brincadeira com os limites entre o vestuário masculino e feminino. Esse tipo de trabalho não foi inventado pelo estilista, já que peças originalmente masculinas foram trazidas para o universo feminino pela estilista francesa Coco Chanel, mas, de fato, foi ele que ‘forçou’ um pouco mais a barreira entre os gêneros, criando o primeiro smoking feminino, em 1966.

A coleção Yves Saint Laurent et les Femmes também conta com alguns aspectos masculinos, porém é uma coleção um pouco mais sensual, que através de recortes clássicos, salto alto e transparências, acerta na feminilidade, sem perder a modernidade e irreverência, ainda dando às mulheres um guarda-roupa poderoso.

Após essas salas, estão algumas das obras mais elaboradas e um pouco teatrais do artista, como a coleção chamada Les Voyages Imaginaire. Para esse trabalho, foi buscar inspiração na Espanha, Rússia, China, Japão e Marrocos. Todas as peças são bastante dramáticas, cheias de detalhes, cores e aplicações nos mais diferentes tipos de tecidos e materiais.

Na coleção Dans Le Monde De L’Art, o designer explorou novas técnicas e formas inusitadas, produzindo vestidos arquitetônicos, com estruturas geométricas e volumosa e peças diretamente inspiradas no mundo da pintura, utilizando-se de quadros de artistas famosos como Mondrian, Matisse, Picasso e Van Gogh como estampa.

A sala principal da exposição é uma das últimas, que lembra o cenário de um baile, todo revestido de preto, dando destaque ao grande lustre que se encontra no centro, ao painel de fotografias do filme O Leopardo, de Luchino Visconti e aos vestidos de alta costura, localizados em um tipo de escadaria, no fundo do ambiente.

Organizadas em frente a um grande espelho, as peças são das mais diferentes amostras das coleções de YSL. Artigos simples e sofisticados, devido ao uso de tecidos nobres e recorte impecável, se misturam aos vestidos mais complexos, feitos de materiais inusitados e recortes originais. 

A parede lateral dessa sala é coberta do chão ao teto de manequins pretos, vestidos e dos mais diferentes smokings também de coloração negra. Tudo seria escuro, se não fossem os focos de luz trazidos pelas enormes jóias, algo presente em todas as obras da exposição.

O resultado de uma parceria entre a primeira dama francesa, Carla Bruni-Sarkozy, a Fundação Pierre Bergé-Yves Saint Laurent e o Petit Palais, é uma amostra de 40 anos de trabalho do estilista, que deixa claro que moda não é apenas aquilo que se vê nas lojas e capas de revistas, mas uma belíssima expressão artística.



Comentários Comentários Postados
Paula Brazão[17/12/2010 - 14:30]

Parabéns pela matéria, esta ótima!

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