“O Escafandro e a Borboleta” mescla passado, presente, fantasia e realidade em uma das melhores adaptações do cinema
Dinheiro, sucesso profissional e lindas mulheres eram os principais ingredientes da vida do bem-sucedido Jean-Dominique Bauby, vivido por Mathieu Amalric. Editor-chefe da revista Elle de Paris, Bauby era famoso na imprensa e mundo da moda, mas teve esse estilo de vida interrompido ao sofrer um acidente, que o deixou completamente paralisado, com exceção da pálpebra esquerda. A partir daí, o jornalista passa a morar em um hospital a beira-mar e a conviver diariamente com duas belas terapeutas que atuam como uma espécie de ponte entre sua vida atual e o passado glorioso.
Para se livrar da solidão, Jean aprende a se comunicar através de piscadelas, em um sistema criado por sua fonoaudióloga Henriette, interpretada por Marie-Josée Croze. Sendo, então, capaz de dividir seus pensamentos, decide escrever um livro usando o método de comunicação criado pela profissional. Assim nasce a obra sobre o cotidiano, emoções e memórias do jornalista, O Escafandro e a Borboleta, na qual se baseia o roteirista Ronald Harwood, para levar ao cinema a história de ascensão e decadência de Bauby.
O longa de Julian Schnabel foi premiado com dois Globo de Ouro - Melhor Diretor e Filme Estrangeiro -, venceu o Festival de Cannes, também pela direção e recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo Melhor Roteiro Adaptado e Fotografia. Ao desmembrar a história cronológica e transformar o filme em uma colcha de retalhos, onde os recortes de tecido são momentos da vida de Jean-Dominique e a costura é a sua fluente imaginação, o diretor surpreende e diverte o espectador. Quando se imagina em um píer no meio do oceano, beijando uma princesa nos corredores do hospital e borboletas saindo de casulos, Jean-Dominique nos faz lembrar a também francesa e sonhadora Amelie Poulain, que assim como o protagonista, usa a imaginação para tornar a vida menos amarga.
Ao contrário do que se espera de obras do gênero, O Escafandro e a Borboleta não é um drama de arrancar lágrimas como qualquer outro. Durante o filme, aprendemos a ver a vida como Jean-Dominique via com seu olho esquerdo - por meio da utilização de câmera subjetiva - e sua imaginação ‘infreável’ e deixamos a postura de meros espectadores de lado para viver as limitadas emoções do herói.
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