Saiba mais sobre a Operação Bernhard, o maior esquema de falsificação da história, e o plano de quebrar a economia britânica
Em 1942, um grupo de 142 falsificadores judeus e poloneses, companheiros no campo de concentração Sachsenhausen e alguns vindos de Auschwitz-Birkenau, foi reunido pelo major Bernhard Krüger para dominar as técnicas de falsificação de libras esterlinas e passaportes. O objetivo era “quebrar” a economia britânica, lançando no mercado milhares de libras falsificadas.
Em 18 de setembro de 1939 líderes nazistas se reuniram em Berlim. Lá, Reinhard Heydrich propôs a Heinrich Himmler um plano para financiar as operações das SS e a Gestapo e, ao mesmo tempo, inflacionar a economia inglesa. A decisão de falsificar chegou até Adolf Hitler, que aprovou a falsificação de libras esterlinas, mas com a condição de que dólares não fossem falsificados. “Dólares não, nós não estamos em guerra com os Estados Unidos”, teria dito.
Foi apenas em 1942 que Heydrich encarregou um coronel da SS, Friederich Walter Bernhard Krüger, para executar o plano. Como Krüger teve dificuldades em obter técnicos alemães, foram selecionados judeus especialistas no tema e experts em impressão com tintas, dentre esses Salomon Smolianoff (1899- 1976) e Adolf Burger (atualmente, com 92 anos). Esses prisioneiros eram classificados como “trabalhadores altamente essenciais” e alguns privilégios lhes eram concedidos como a segurança de sobrevivência e um tratamento melhor do que do resto dos prisioneiros.
Inicialmente as notas seriam lançadas por aviões sob solo britânico, onde se esperava que os cidadãos recolhessem o dinheiro e o gastassem, inflacionando a economia do país. Mas, devido ao baixo número de aviões, optaram por um plano mais discreto. O dinheiro seria distribuído pelas embaixadas e consulados para a compra de materiais e bens em países neutros, assim como o pagamento de seus espiões e agentes. Os primeiros “produtos” foram repartidos entre as embaixadas e consulados alemães na Turquia, Espanha, Suécia e Suíça. No final de 1943 eram impressos aproximadamente um milhão de notas por mês. Grande parte desse dinheiro foi transferida para um hotel perto de Meran, na província de Trentino – Alto, na Itália. Acredita-se que o resgate do ditador italiano Benito Mussolini foi feito com esse dinheiro, mas não há provas.
Foi impresso um total de 8.965.080 cédulas que somam um valor de £134.610.810. No final da guerra havia também prensas para impressão de francos e dólares. Entre 1942 a 1945 foram forjadas mais libras do que as reservas do Banco da Inglaterra possuíam em seus cofres, o equivalente a 15% de todo dinheiro original em circulação.
Após a evacuação de Sachsenhausen, os falsificadores foram transferidos para RedlZipf, na Áustria. Em maio de 1945, uma ordem foi expedida para a transferência do grupo para Ebensee, onde todos seriam executados. Havia apenas um caminhão disponível para o transporte e por isso foram necessárias três viagens. Na terceira viagem, o caminhão quebrou e os prisioneiros presentes tiveram que caminhar até Ebensee, chegando no dia 4 de maio. Os guardas dos dois primeiros grupos fugiram após uma revolta dos prisioneiros, que se recusaram a caminhar em túneis. Os falsificadores se misturaram com os outros prisioneiros e, graças a isso, não foram executados.
A maioria das cédulas foi depositada no fundo do Lago Toplitz, arredores de Ebensee. Em 1959, mergulhadores recuperaram as notas, que continuaram em circulação por muitos anos. O Banco da Inglaterra retirou de circulação todas as notas maiores que £5. Foi apenas em 1960 que a nota de £10 foi reiterada, £20 em 1970 e £50 em 1980.
Houve uma parte do dinheiro que foi usada pelos judeus para a compra de material bélico para o iniciante exército israelense e para ajudar no exílio para a Palestina de muitos judeus. A operação Bernhard é considerada o maior esquema de falsificações já ocorrido.
Comentários Postados
Salomon Smolianoff (no filme Os Falsários chamado Salomon Sorowitsch) emigrou para o Uruguai ainda na década de 40. Depois de uns problemas com a polícia de lá, veio para o Brasil nos anos 50. Ele morava em Porto Alegre/RS onde abriu um negócio de brinquedos e morreu em 1976, com quase 80 anos. Já tinha a cidadania brasileira há anos.
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