As raízes do rock´n´roll mostram a sua natureza diversificada
Rock Around the Clock é uma música dançante que explodiu nos Estados Unidos em 1955, composta por Bill Haley. Essa canção, junto com muitas outras, mostrou a manifestação de brancos fora do blues, que era um gênero musical tipicamente negro, fora dos padrões e melancólico. No mesmo período, muitos músicos afro-descendentes juntaram-se às manifestações juvenis agregadas com o rock´n´roll. Hoje em dia, você pode ouvir a versão da banda Black Eyed Peas de um dos maiores clássicos dos primórdios roqueiros: Misirlou, de Dick Dale, que misturava o ritmo contagiante com a surf music em uma composição originalmente grega. Toda essa mistura define o que é o rock dentro de todos os movimentos populares, como uma rebeldia mista, uma manifestação musical moderna que influencia todo o século XX até os dias de hoje.
E falar sobre roqueiros é falar sobre seus ícones. Chuck Berry incorporou mais o blues rítmico ao gênero ainda nos anos 50. Elvis Presley explodiu o rockabilly e a dança, requebrando sua pélvis, de Memphis para o mundo no mesmo período, ecoando sua influência nas décadas de 60, 70 e até o começo dos anos 80. Rock, então, é indissociável de combinações de diversos elementos. No começo dos anos 60, os Beatles trouxeram toda essa movimentação jovem e musical até uma retrógrada sociedade inglesa. Com seu carisma e experimentalismos, mudaram o método de produção musical disseminando o uso de drogas, a criação de álbuns conceituais e a cultura oriental no rock.
Esses músicos brilhantes foram imortalizados também por suas imagens e performances ao vivo. Jimi Hendrix encerrou o Festival de Woodstock, em 1968, com uma atuação engajada, virtuosa e inesquecível, armado com sua guitarra Fender Stratocaster. Eric Clapton ressuscitou deuses do blues como Robert Johnson e inspirou, com seus acordes lentos e improvisações, uma legião de guitarristas, como o próprio George Harrison do Beatles, seu contemporâneo, até gênios como Edward Van Halen, Brian May do Queen e até Alex Lifeson do Rush.
Outro símbolo emblemático desse rock´n´roll sem uma única face é Bob Dylan. Trazendo o folk americano para o mundo, tornou o violão acústico uma moda no começo dos anos 60. Quando estava no ápice, adotou a guitarra elétrica e chocou seu público. Promoveu integração com a Inglaterra ao se relacionar com os Beatles e o LSD. Aventurou-se na música cristã e hoje ainda tem uma carreira consolidada.
E o rock também brotou da periferia e dos setores menos favorecidos da sociedade. Dos subúrbios de Nova York, o Velvet Underground de Lou Reed criou o rock´n´roll independente, sendo que, poucos anos depois, em 1970, o Black Sabbath de Ozzy Osbourne e Tony Iommi traduziu o ocultismo e a transgressão de adolescentes trabalhadores da cidade britânica Birmingham. Iggy Pop e os Stooges chocaram a sociedade americana atacando a platéia que era acostumada à beleza autodestrutiva de Jim Morrison e o The Doors. Os Ramones trouxeram o rock feito por quem não sabia tocar um único instrumento, enquanto os Sex Pistols traduziram um desejo dos ingleses em fazer anarquia e bagunça, além de engessar o punk em manifestações sem sentido. Os anos 70 também mostraram o estrelato dos rapazes maquiados do Kiss e evidenciaram o virtuosismo, beirando a música erudita, dentro do rock de gigantes como Genesis e Yes.
E os anos 80 criaram as roupas transexuais dos Twisted Sister, a explosão de fúria de um Metallica inspirado por um Motörhead, o hard rock farofa e repleto de excessos de sexo e drogas. Os anos 90 trouxeram o grunge e expandiram ainda mais bandas que fugiam de rótulos e subgêneros, criando seu som próprio.
E é injusto listar tudo o que o rock fez e causou no mundo. E é impossível limitar todo o alcance desse fenômeno pop. Mas é possível, assumindo que ele nasceu do casamento da música negra com a cultura branca, perceber que é uma metamorfose que influi dentro e fora de sua cultura. O rock é uma constante miscigenação.
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