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30/06/2010 - 10h04 - Atualizado em 21/05/2012 - 19h39

Quando o óbvio é bem dito

Por Gabriela Sá Pessoa, aluna do 1º ano de Jornalismo

"15 Anos e Meio" se destaca pelas inteligentes brincadeiras audiovisuais

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Reprodução
Cartaz do filme

Philippe Le Tallec, vivido por Daniel Auteuil, famoso cientista francês, após trabalhar quinze anos nos EUA, decide voltar para a casa a pedido da ex-mulher, a fim de cuidar da filha adolescente, Églantine, interpretada por Juliette Lamboley. Esse é o mote de 15 Anos e Meio.

O progenitor tenta entender o período turbulento pelo qual a filha passa. Para isso, chega até a buscar ajuda em uma espécie de “terapia para pais”. A garota, por sua vez, enfrenta os grandes desafios de sua idade: namoros, festas, amizades e o picante blog que relata, detalhadamente, o misterioso relacionamento de Shirley, pseudônimo de uma aluna de seu colégio, com um dos professores.

15 Anos e Meio, no entanto, se destaca menos pelas atuações e enredo do que pelas pequenas brincadeiras e homenagens feitas pelos diretores, François Desagnat e Thomas Sorriaux. Uma dessas menções ocorre quando Philippe, com ciúmes de um pretendente de Églantine, imagina-se lutando com o rapaz à moda antiga. O cenário, roupas, armas e angulação da cena são uma clara referência ao antológico duelo entre as personagens Redmond Barry e Capitão Quinn, de Barry Lyndon, clássico de Stanley Kubrick.

A imaginação de Phillipe, ademais, não só é responsável por algumas das cenas mais engraçadas do filme, mas também traz certa profundidade psicológica à narrativa: o cientista criou uma espécie de amigo imaginário que é ninguém menos que Albert Einstein. As fórmulas dadas pelo pai da teoria da relatividade, embora fossem muito úteis dentro dos laboratórios, em nada ajudavam quando o problema era equacionar o relacionamento entre pai e filha. Desse modo, razão e emoção entram em conflito, mostrando que, embora seja um cientista premiado, ele não escapa dos desentendimentos comuns aos 15 anos e meio.

Phillipe e Églantine têm de enfrentar problemas bastante parecidos, o que acaba por aproximá-los. Tentam se adequar às suas novas vidas – a filha, às hecatombes da adolescência e o pai, aos novos empregos como chefe em um laboratório e de uma família, em Paris. 

Um dos trunfos do longa é falar da adolescência sem ser anacrônico, isto é, com falas e situações incoerentes com tal fase da vida. Na película, são abordados temas próprios da juventude, como sexo e drogas, com uma polidez bastante adequada, sem o famigerado discurso moralista de muitas obras juvenis.

O filme, portanto, trata do conflito de gerações sem entrar em conflito com sua própria linguagem, tanto no que diz respeito ao modo de falar das personagens, quanto no que se refere à sua estética, marcada por diálogos rápidos, digressões e situações cômicas.



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