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30/06/2010 - 10h11 - Atualizado em 22/05/2012 - 11h38

Mombojó mostra que está vivo com Amigo do Tempo

Por Vivian Costa, aluna do 1º ano de Jornalismo

Após 4 anos, o grupo recifense deixa a bossa de lado e lança um disco maduro e dançante

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Reprodução
Capa do álbum

Os fãs não sabiam bem o que esperar do terceiro cd do Mombojó. Depois da explosão em 2004 com Nadadenovo e o sucesso de Homem Espuma, lançado pela gravadora Trama, a banda tinha o desafio de manter a curva ascendente no próximo álbum. Se a situação já era difícil por si, ficou pior com a morte do flautista Rafael Torres (1983-2007) e a saída do violonista Marcelo Campelo em 2008. “Pra muita gente, a banda nem existia mais”, brincou Felipe S, em entrevista para o Correio Braziliense.

Mas se enganou quem achava que o grupo não suportaria o baque. Em 2008 iniciou-se a pré-produção de Amigo do Tempo. Novamente como uma banda independente - outro fator decisivo para a demora do lançamento -, o Mombojó  entrou em estúdio , ou melhor, foi para um sítio em Aldeia, Recife (qualquer semelhança com Los Hermanos e o CD 4,  não deve ser mera coincidência).
Durante os dois anos, o conjunto compôs livremente e teve a oportunidade de testar as novas composições no palco. A canção título, bem como Papapa, foi apresentada no especial MTV Sintonizando Recife. Provavelmente, essas prévias só fizeram aumentar a curiosidade e expectativa dos fãs que ainda estão digerindo o novo álbum, disponibilizado para download no site oficial, duas semanas antes do lançamento.

O novo trabalho deve dividir opiniões. Reorganizado, o grupo manteve a qualidade sonora, mas abriu mão de algumas características. A brasilidade tão presente em Nadadenovo e a leveza de Homem Espuma foram suprimidas por uma espécie de melancolia dançante já presente nos trabalhos da banda. Ficam claras em Amigo do Tempo, influências de Stereolab e Michael Jackson. As batidas são rápidas, os sintetizadores muitos e o som bastante conciso, o que também lembra muito do indie britânico produzido atualmente. Os destaques do novo CD são:

Entre a União e a Saudade

Abrindo com o pé direito, conta com o trompete de Guizado escoltando a voz de Felipe S. A primeira música do álbum parece fazer o papel de ponte entre Amigo do Tempo e os trabalhos antigos: é bastante orgânica e tem uma belíssima melodia.

Passarinho Colorido

Define o novo Mombojó. A canção começa rápida e com guitarras bem marcadas, do meio para o final, ganha peso e diversos sintetizadores.  A letra é composta por versos soltos e quase dadaístas, mas tem seu charme.

Casa Caiada

A música parece ter o equilíbrio perfeito entre as duas fases da banda. O peso e a nostalgia são combinados a uma bela letra e com teclados graciosos.

Apesar da qualidade musical, falta poesia. A dureza dos arranjos sintetizados parece refletir-se nas letras raramente rimadas e faladas em versos bastante soltos. É um bom Mombojó, mas sem a mesma graça.



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