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24/06/2010 - 12h20 - Atualizado em 21/05/2012 - 19h36

Evolução no mundo do crime em O Profeta

Por Francisco Izzo, aluno do 3º ano de Rádio e Televisão

Boas atuações seguram filme sobre a estadia de jovem árabe na cadeia

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Reprodução
Cartaz do filme

O tema da ascensão na criminalidade é constantemente trabalhado no cinema e continua sendo bem recebido pelo público e crítica, com protagonistas fortes que se envolvem em um mundo de assassinatos e drogas e ao longo do filme vão dominando esse mundo. Nesse gênero se encaixa O Profeta, mais recente obra do diretor francês Jacques Audiard, indicada ao Oscar de Filme Estrangeiro e vencedor do Grande Prêmio do Júri em Cannes.

No longa, acompanhamos a estadia de Malik, vivido por Tahar Rahim, em uma cadeia francesa, após ser condenado a seis anos de prisão por agressão a um policial. Ele é árabe e analfabeto e em seus primeiros dias aparenta fragilidade neste pesado ambiente, mas acaba sendo acolhido por um grupo de corsos locais, para realizar o trabalho sujo deles. Porém à medida que cresce dentro do mundo do crime, ele começa a trabalhar não somente para os corsos, mas para si mesmo. Com poucas informações de como era a vida antiga de Malik, passamos a observar como se adapta a sua nova situação nesses seis anos.

Ao entrar cada vez mais na criminalidade, vários temas são debatidos no decorrer do filme, como traição, lealdade, honra e principalmente a questão racial, dando uma profundidade interessante à personagem. Não aparentava ter ligação forte com a sua etnia, até que ao se aliar a gangue dos corsos, tornou-se inimigo dos árabes, passando a lidar também com o peso da traição. O conflito psicológico entre Malik e sua própria raça é ressaltado através de Reyeb, papel de Hichem Yacoubi, primeira vítima dele, um árabe que fez um acordo para prejudicar a gangue dos corsos. Sua morte marca a entrada de Malik na gangue e a passagem para o mundo do crime.

A inteligência do protagonista também é explorada. Conforme vai se adaptando à cadeia, também irá desenvolver os próprios projetos pessoais. Sua relação com César Luciani, interpretado por Niels Arestrup, o chefe da gangue de corsos, vai se tornando mais forte. Mas em determinado momento, sua identidade árabe se fortalece, quando começa a se relacionar e manter contatos com os presos árabes pelas costas de Luciani. Aprende a ler, escrever e também outras línguas, ouvindo os colegas de prisão, sobrevivendo com mais independência.

Com um protagonista bem trabalhado e boas atuações, o filme peca somente pelo fato de ser extenso - 155 minutos -, mas isso é compensado pela boa direção e fotografia, que juntos fazem a atmosfera do longa combinar bastante com o clima pesado das prisões francesas.



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