Documentário do brasileiro Murilo Salles

Perguntado sobre a expectativa de acompanhar uma Copa do Mundo pela primeira vez em seu país, uma cidadã norte-americano responde: “Eu não sei nada sobre futebol”. O documentário Todos os Corações do Mundo, dirigido pelo brasileiro Murilo Salles, acompanhou a invasão do “soccer” nos Estados Unidos durante a edição de 1994 da competição.
O cineasta e sua equipe viajaram pelos mais profundos rincões da “terra do tio Sam” mostrando a falta de intimidade dos norte-americanos com o esporte bretão. Perguntas ao estilo de “como funciona o futebol” eram frequentes pelos entrevistados e muitos deles não tinham idéia da importância daquele evento que o país estava sediando. Esse estranhamento se refletia na equipe nacional que entrou em campo, com figuras curiosas e excêntricas como o zagueiro Alexi Lalas, com seu cavanhaque ruivo, e o goleiro Tony Meola, um dos ídolos nacionais do esporte.
Se por um lado houve a preocupação de mostrar o lado “antropológico” da Copa, por outro houve o registro dos jogos em si, com um espetáculo de imagens e um texto caprichado sobre as partidas. Um dos maiores feitos da equipe de produção foi exaltar a participação de jogadores e equipes pouco badaladas pela mídia, mas que fizeram sucesso no torneio. O caso mais emblemático é o do meia romeno Gheorghe Hagi, um canhoto que infernizou os adversários nos campos americanos. Além de ter marcado um dos gols mais bonitos na história das copas, contra a Colômbia, o “Maradona dos Cárpatos” foi retratado como um líder pelo documentário. Nada mais justo para um jogador que marcou o seu nome na história do futebol, apesar de atuar por uma equipe pouco famosa.
Murilo Salles deixa claro qual a sua forma de trabalhar ao longo do filme. Antes de cada partida há uma breve história do confronto, além de curiosidades e fatos interessantes que englobam cada embate. Apesar do tema futebolístico, o filme tem potencial para agradar a todos, mesmo os que não se simpatizam do esporte. As entrevistas com os “nativos” e as curiosidades, colocadas de forma inteligente durante o longa, tão o tom para deixar o documentário leve e não só focado nos gols e nas jogadas em si. Um golaço para assistir nesta época de Copa, ainda mais para rever o tetra do Brasil.
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