Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Livros

18/06/2010 - 09h06 - Atualizado em 22/05/2012 - 05h07

Inglês louco pelo esporte bretão

Por Lidyanne Aquino, aluna do 2º ano de Jornalismo

Em “Febre de Bola”, Nick Hornby mostra o futebol de forma bem humorada e para todos os gostos

Compartilhe:


Reprodução
Capa da edição brasileira

Em tempos de Copa, existem outras opções para quem não gosta tanto de acompanhar os jogos, ou mesmo para distrair os fanáticos entre o intervalo de um jogo e outro. Entre elas, está uma figura conhecida da literatura inglesa contemporânea – Nick Hornby. Mais famoso pelos livros Alta Fidelidade e Um Grande Garoto, iniciou com uma obra que aborda a paixão – nas palavras do autor, obsessão – pelo futebol: Febre de Bola.

Nick Hornby é fanático pelo Arsenal – um dos clubes de futebol da Inglaterra. Ele não somente acompanha resultados e notícias do time, como faz questão de ir ao estádio para assistir aos jogos, com todas as implicâncias que essa experiência traz. Mostra-se um torcedor fervoroso, marcando presença mesmo nos amistosos e conferindo os lances de cada jogador do Arsenal junto com a torcida.

A história de Febre de Bola é contada pela perspectiva do torcedor – no caso, o próprio escritor, representado pela personagem principal. Não relata apenas os jogos do seu time predileto, mas destaca também disputas de outras equipes inglesas e grupos de amigos. Logo nas primeiras páginas, dá espaço ao Brasil, comentando o desempenho elogioso de Pelé na Copa de 1970.

A paixão pelo futebol retratada na obra quebra os estereótipos existentes e velhos conceitos ditos, principalmente por pessoas que pouco sabem sobre o esporte, como a ideia de que futebol serve somente para entreter. Embora reconheça a ideia dessa prática como uma arte, Hornby sabe que sua paixão não se resume a isso e existem outros aspectos a serem levados em conta. Valoriza o empenho dos jogadores, ao concordar que o time vencedor de uma partida nem sempre apresenta o melhor desempenho.

A violência em campo também é abordada no livro, em uma situação constrangedora para o autor. Durante a Copa da Liga dos Campeões da UEFA, em 1985, a partida Juventus x Liverpool - do capítulo homônimo - terminou com a morte de 38 torcedores italianos. Hornby assistiu ao jogo pela TV, na companhia de seus alunos de nacionalidade italiana. No período, lecionava inglês para estrangeiros. Ao falar sobre o momento em que se desculpou pelo acontecimento, relata o seu impacto; a forma como algo tão pequeno pode terminar em tragédia.

No lugar de capítulos, a história é divida por jogos – como se fossem várias crônicas unidas por alguns pontos para compor o romance. O autor compara e concilia os relatos dos jogos com acontecimentos de sua vida durante os anos em que acompanhou o time -  o processo de amadurecimento, a relação com familiares e amigos, os primeiros “amores” e a separação de seus pais são retratados.

A narrativa bem desenvolvida do autor inglês é capaz de agradar até quem não gosta do tema ou, especificamente, de times ingleses. O tom informal e descontraído consegue fisgar o leitor, evidenciando o humor típico de Hornby.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.