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11/06/2010 - 09h16 - Atualizado em 21/05/2012 - 19h30

A ética no século XXI

Por Paulo Pacheco, aluno do 2º ano de Jornalismo

Professor Caio Túlio Costa explica a variabilidade dos conceitos de pós-modernidade

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Alexandre Makhlouf
O professor Caio Túlio Costa

Como convidado do Café Filosófico no Trianon, realizado na tarde de quinta-feira, dia 10 de junho, o professor da Cásper Líbero, Caio Túlio Costa, contou com participação ativa da plateia para discutir o tema desta edição do evento: ética fast food.

O professor de Filosofia da Cásper, Francisco Nunes, considera o tema inusitado. Ética é um assunto aparentemente chato e falado muito, mas praticado pouco. “Colocamos ética fast food porque estamos vivendo em plena pós-modernidade, e uma das características da pós-modernidade a fugacidade, a rapidez e o superficial”, comenta.

De acordo com o Caio Túlio, os conceitos que fundaram a pós-modernidade são relativizados ou se liquidificaram, citando o sociólogo polonês Zygmunt Bauman. “Eles vão assumindo as formas e os contornos das necessidades do momento, como um líquido em um cálice ou copo, e isso tem acontecido com a Ética”, explica o professor de Ética Jornalística.

O público participou da palestra levantando a mão -  a pedido de Caio Túlio - para cada virtude que seria dita, como coragem, prodigalidade, amor-próprio e prudência, da mesma forma que em uma pesquisa de opinião. O mesmo ocorreu quando o professor citou excessos e deficiências equivalentes às virtudes mencionadas.

“Este um exercício profundamente ético, capaz de, mesmo que não tenha havido sinceridade, fazer com que as pessoas reflitam sobre essas virtudes tão impensadas hoje em dia”, declara o professor, baseado na teoria da virtude de Aristóteles.

Diferenciando ética e moral, Caio Túlio explicou que, enquanto uma é individual, a outra é compartilhada. A moral dá as condições para a tomada de decisões éticas. “As duas andam juntas. Uma não vive sem a outra. A moral formula; a ética decide”, conclui.

Um membro na plateia lembrou a colaboração de Caio Túlio na campanha de Marina Silva à Presidência da República. O professor citou Nicolau Maquiavel e o filme Violência e Paixão (1974), do diretor italiano Luchino Visconti, para ilustrar que não há equilíbrio entre ética e política. “Evidentemente, não posso generalizar dessa forma, tanto que, contraditoriamente, trabalho com uma pessoa que equilibra ética e política”, esclarece.

Violão filosófico

A música ficou a cargo de Bonfim, em sua segunda atução no Café Filosófico. O violonista tocou “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso, e, homenageando a Copa do Mundo, “Que Bonito”, de Luiz Bandeira. Bonfim uniu o “Tema da Vitória”, de Eduardo Souto Neto, imortalizado nas conquistas de Ayrton Senna, e “Pra Frente Brasil”, que embalou o tricampeonato mundial de futebol, em 1970.

Bonfim encerrou o Café Filosófico com pout-pourris de Aníbal Augusto Sardinha (1915 1955), músico mais conhecido como Garoto, e Noel Rosa, que, se estivesse vivo, completaria 100 anos de idade em dezembro de 2010.