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31/05/2010 - 20h29 - Atualizado em 22/05/2012 - 12h02

Quando a arte ensina a vida

Por Fernanda Patrocínio, aluna do 3º ano de Jornalismo

Livro foca em temas como a sétima arte e relação pai e filho

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Reprodução
O cineasta David Gilmour e o filho Jesse

O que fazer quando um adolescente, aos 15 anos, desiste de frequentar a escola? O cineasta David Gilmour, num ato de ousadia, consentiu com a decisão do filho, mas fez o seguinte acordo: ele teria que assistir a, pelo menos, três filmes por semana escolhidos pelo pai. O livro Clube do Filme, escrito pelo próprio Gilmour narra os três anos em que educou o caçula Jesse com a ajuda de François Truffaut, Stanley Kubrick, Steven Spielberg e outros nomes do cinema.

Sem precisar trabalhar e nem estudar, Jesse obedece e segue a proposta. A obra mostra a vida e os dilemas da família Gilmour, sobretudo, os impasses do garoto-problema. Com dificuldades financeiras, o cineasta se mostra um pai presente ao lado do filho que começa a se encarar como adulto. Os filmes servem de mote para os diálogos entre os Gilmour. Músicas, drogas, amor e vida são alguns temas debatidos entre eles na narrativa.

No decorrer da história, o cineasta cita os filmes assistidos e atenta o filho – e consequentemente, o leitor – aos detalhes das produções. Com olho clínico e sensibilidade aguçada, Gilmour conduz quem lê à reflexão e justifica porque o cinema é a sétima arte. Nas sessões do Clube, ele mistura clássicos com blockbusters. Os Incompreendidos, de Truffaut inicia a interação cinematográfica da família, mas o menino pouco aprecia. Em seguida, o thriller sensual Instinto Selvagem, com Sharon Stone, é exibido – o que mexe com o imaginário erótico de Jesse. A Doce Vida, de Federico Fellini, a atuação primorosa de Jack Nicholson em O iluminado, Robocop de Paul Verhoeven e Amores Expressos do diretor chinês Wong Kar-Way são alguns dos filmes listados por David. É possível resgatar todas as obras mencionadas no último capítulo do livro.

Lançado no Brasil pela editora Intrínseca em 2009, a publicação foi a oitava mais vendida na categoria não-ficção. Clube do Filme, apesar do título, dá maior ênfase ao relacionamento pai e filho. As obras são mera desculpa para aproximá-los e auxiliar Jesse na transição menino/homem em meio à adolescência conturbada. E o menino se transforma, fazendo mais uma vez a vida imitar a arte.