Pesquisadores docentes e discentes apresentam diferentes formas de narrativa literária na mídia
Na noite de 19 de maio, a sala Aloysio Biondi sediou a mesa “Mídia e Literatura” mediada pelo Professor Welington Andrade. Os palestrantes discutiram os limites do discurso jornalístico e de outras produções literárias contemporâneas.
O jornalista e professor da Cásper Igor Fuser, na pesquisa “Os diários de São Paulo e a pluralidade política nos meios de comunicação: o caso do Destak” analisou o conteúdo de publicações impressas paulistas, comparando a cobertura de política interna, externa e dos movimentos sociais na Folha S.Paulo e no Destak. Os jornais gratuitos, segundo ele, “não contribuem para a pluralidade e até mesmo agravam a situação. Eles tendem a olhar o leitor como consumidor e só dão espaço para matérias de serviço”, constatou.
Em seguida, a professora Maria da Conceição P. Campos apresentou seu doutorado, “Abílio Pereira de Almeida: das origens aos palcos”, resgatando a história do personagem, da vinda de seus antepassados belgas para o Brasil até a criação do Grupo de Teatro Experimental e da atuação na Companhia Cinematográfica Vera Cruz, traçando o panorama de um personagem de revolucionou o moderno teatro brasileiro. Welington Andrade afirmou que trata-se de “um trabalho fundamental para a dramaturgia brasileira” e que “se não fosse pelo esforço de pesquisadores, personagens como Abílio poderiam estar esquecidos” .
O repórter da Folha Teen, Diogo Bercito, discutiu seu TCC “J’lem: A cidade sagrada do século 21”. Ele falou sobre as crônicas de sua autoria sobre a viagem à Jerusalém. A ênfase foi na análise desse tipo de construção literária, que remonta à Idade Média. Diogo questionou o olhar dos cronistas de viagem e a tendência das pessoas de não terem olhares críticos sobre esses textos.
Juliana de Freitas Dias, do 4º ano de jornalismo, pesquisadora do CIP, observou a literatura de cordel como um sistema cultural de comunicação com identidade própria. O trabalho foi dividido em três partes: o resgate histórico do significado do cordel, a análise de conceitos de comunicação e a revisão das funções de linguagem nos poemas de Zé da Luz. “O cordel foi, durante muito tempo, fonte de informação”, afirmou, observando a importância desse tipo de gênero para a cultura de seu público.
Outra aluna pesquisadora do CIP, Gabriela Nascimento, apresentou a pesquisa “Através da cultura pop e o que Alice encontrou lá”. Cruzando o clássico de Lewis Carroll, Alice no País da Maravilhas, com a versão cinematográfica produzida pela Disney em 1951, observou transformações dos discursos entre o livro e o filme. Com base em Umberto Eco, mostrou a mudança de linguagem e conteúdo para “adaptar a Alice inglesa e vitoriana para uma Alice de cultura de massas”. Apesar disso, considera que “diferentes interpretações só deixam a obra mais ativa”.