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11/05/2010 - 11h00 - Atualizado em 22/05/2012 - 14h58

Simbiose Urbana

Por Paula Teresa Miranda, aluna do 1º ano de Jornalismo


Reprodução
A arte de OsGemeos no castelo de Kelburn,
localizado na Escócia

Pensar nas grandes cidades tentando encaixá-las em um padrão, é algo atualmente impraticável. Elas possuem produtos culturais próprios que as tornam peculiares e acabam com a monotonia da paisagem. Sendo essa uma de suas finalidades, as intervenções urbanas têm transformado o ambiente formal em um lugar mais sociável e instigador. São movimentos artísticos realizados em espaço público, com abertura à participação de quem quiser intervir. Essa forma de comunicação indireta ganhou  espaço no mundo todo, devido ao intuito de transmitir ou questionar algo ao interlocutor. Abrangem desde adesivos, lambe-lambes e grafites até esculturas e  instalações artísticas de grande porte.

Postes e muros são suporte para tudo: propaganda de imóveis, conserto de objetos, serviços diversos e também meio de protesto. A artista plástica Alessandra Cestac, paulistana de 29 anos, espalhou em grandes avenidas e complexos viários, fotografias suas nua em tamanho natural, a fim de mostrar a nudez sob outra perspectiva. ''É uma intervenção urbana total, ou seja, você usa o espaço da cidade para fazer o seu trabalho. Entra em simbiose com o ambiente e pessoas presentes nele”. Tentar poetizar um espaço público de maneira não convencional nem sempre agrada a todos, como explica: ''Tem dois tipos de lambe-lambes que colo: o de corpo inteiro nas vias expressas, porque são lugares onde não há pessoas andando, ou seja, não existe contato direto às partes cortadas do corpo, que aplico onde se encontram transeuntes, pois caso se incomodem, podem rasgar”. Cestac completa: ''Acho que não estou fazendo nada proibido. Proibir você de poder se expressar, isso é uma contravenção...”.

Esse tipo de obra vai se transformando, sendo grande a probabilidade do trabalho ser destruído. Porém, há ainda muitos que permanecem espalhados, como os de Otávio e Gustavo Pandolfo, conhecidos como OsGemeos. Dupla de irmãos grafiteiros de São Paulo, ganharam destaque no Brasil e no exterior, difundindo aqui um tipo de arte, até então, pouco apreciada. Suas obras são uma mistura harmoniosa entre realismo e ficção, onde os próprios personagens mágicos são os críticos da desigualdade existente na sociedade. No final do ano passado, realizaram a exposição Vertigem no Museu de Arte Brasileira, localizado na Fundação Armando Álvares Penteado, a FAAP, em São Paulo.

Contudo, esse tipo de manifestação artística não se restringe ao Brasil. Um dos grandes nomes da arte de rua mundial atende pelo pseudônimo Banksy. Apesar das suas obras estarem presentes em vários lugares e de toda divulgação feita pelo seu site oficial, nada lá está à venda, como reforça: ''Todas as imagens foram disponibilizadas para download e prazer pessoal apenas, obrigado”. Ele não está no Facebook, nem no Myspace, Twitter ou Gaydar, nem é representado por nenhuma forma de galeria de arte comercial. A crítica à sociedade capitalista e à cultura pop são temas frequentes de seus trabalhos feitos com humor irreverente e inteligente. Ele apostou também no audiovisual, ao lançar o filme Exit Through The Gift Shop, no Sundance Film Festival deste ano, ganhando visibilidade nessa área.

Entender como certas intervenções saltaram dos muros urbanos para o restrito circuito das instituições ao redor do mundo, não é tarefa simples por se tratar de uma arte, até pouco tempo, marginalizada. A substituição do caos urbano por espaços protegidos da alta cultura gera um contraste. Por isso, a chegada atual a lugares fechados gera novos desafios para os artistas contemporâneos que buscam continuamente novas formas de produzir e se adequar a linguagem de cada ambiente, sem perder o foco no caráter significativo da mensagem que desejam oferecer ao público.



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