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11/05/2010 - 11h41 - Atualizado em 21/05/2012 - 19h11

Antes que o filme acabe

Por Livia Hayama, aluna do 4º ano de Jornalismo

Longa nacional com temática juvenil chega às telas

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Reprodução
Cena do filme

Romances de estação, brigas em casa, pais separados, casos e descasos, traição, provas chatas, aulas piores ainda, videogame, sair com o melhor amigo, caminhadas de All Star ou bike, som alto, uma pitada de rebeldia e bebedeira para completar. Nada que seja estranho ao universo adolescente. Com todos esses ingredientes, Antes que o mundo acabe chega às salas de cinema. O longa nacional foi exibido na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo e conta com a direção da estreante em longas, Ana Luiza Azevedo, que se baseou no livro homônimo de Marcelo Carneiro Cunha.

O filme começa com uma série de colagens e um off sobre a cultura da Tailândia, fazendo um comparativo com a vida em Pedra Grande, Rio Grande do Sul. Quem faz essa narrativa é Maria Clara, personagem de Caroline Guedes, para contar a história de seu meio irmão mais velho, Daniel. O garoto, interpretado por Pedro Tergolina, é um adolescente comum, de 15 anos, deslumbrado pela quase namorada Mim, papel de Bianca Menti, e saturado pelas cobranças da mãe, vivida por Janaína Kremer e do padrasto, atuação de Murilo Grossi, que parecem nunca o compreender. Além de Mim, outro ponto de apoio é o melhor amigo, Lucas, personagem de Eduardo Cardoso. Até começar a perceber que, depois de levar fora da menina indecisa, ela e seu amigo passam a desenvolver uma intimidade suspeita. Todos os dilemas de Daniel parecem maiores do que o mundo, incluindo cartas que passa a receber do pai, interpretado por Eduardo Moreira, que não conheceu. Através das fotos e palavras dele, fotógrafo que mora na Tailândia, que o garoto vai abrir um espaço para perceber outros mundos.

Nas cenas, não há intervenções do ‘mais do mesmo’, com favelas sem fim e narcotráfico, como rotineiramente há em filmes brasileiros que caem no gosto popular, com o intuito de chocar a classe média pela catarse e libertar-se do sentimento de culpa da inércia. Tendo temática juvenil, o longa explora cenas coloridas, cenários naturais, música empolgante e ritmo vívido. Por outro lado, a história do garoto está longe de ser um blockbuster colegial e divertido, digno de vender milhões de ingressos por duas horas de distração.

Dentre canções, sorvetes, jogos, tristezas e alegrias do menino, nos deparamos com momentos de reflexão e descoberta, da personagem, do outro e de nós mesmos. Para refletir antes que o filme chegue ao fim, fica espaço para relembrar que na Tailândia ou em qualquer parte do mundo, há tantos costumes e lugares diferentes, capazes de abrigar pessoas tão parecidas. Mesmo que não sobre tempo para entender todas as questões universais da vida e relações, basta aproveitar antes que o mundo acabe.



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