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06/05/2010 - 15h27 - Atualizado em 22/05/2012 - 06h18

Viagem até a própria imaginação

Por Francisco Izzo, aluno do 3º ano de Rádio e Televisão

Em "O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus", Terry Gilliam narra a história do homem imortal

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Reprodução

É curiosa a maneira como o interesse pelas obras de um artista mudam após sua morte. Muitos trabalhos passam a ser mais valorizados e vistos com melhores olhos. No cinema esse fenômeno também é evidente, porém no caso de O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus, é um fato mais curioso, pois todo o fenômeno em relação ao Heath Ledger já repercutiu em O Cavaleiro das Trevas, que lhe rendeu um Oscar póstumo como ator coadjuvante. O filme  teve sua estreia após a imagem do ator ser refeita, gerando grandes expectativas a respeito de como estaria no longa.

Ele não decepciona, devido a forte personagem e boa atuação. Porém sua partida serviu para ressaltar o talento do diretor Terry Gilliam, que ao perdê-lo no meio das filmagens, encontrou a criativa solução de substituí-lo pelos atores Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law, em pontos chaves do longa, ou seja, as cenas em que a personagem se encontra dentro do mundo imaginário que dá nome à história. A substituição ‘caiu como uma luva’ à obra, dando uma nova profundidade a personagem de Ledger, ao ressaltar características dela que aparecem somente ao longo do filme. Esse detalhe somado aos temas morte e imortalidade, discutidos ao decorrer da narrativa, fazem com que a partida prematura de Ledger dê uma nova perspectiva ao longa, deixando os seguintes questionamentos: Como o filme seria encarado? Qual o impacto algumas cenas teriam se estivesse vivo?

Mas o filme traz outros atrativos além de Heath Ledger. A história gira em torno de uma trupe circense, que vive de seus espetáculos, onde a maior atração é um espelho que permite a entrada em um mundo criado pela própria imaginação. O grupo é liderado por Dr. Parnassus, homem com mais de mil anos, que no passado, fez um pacto com o Diabo. Ele ganhou a imortalidade, enquanto o Diabo ganharia sua filha Valentina - papel de Lily Cole - quando completasse dezesseis anos. As vésperas do aniversário dela, o ser maléfico dá ao pai uma nova chance, através de uma aposta. Se Parnassus ganhar dele, a filha será poupada.

A chave para que ganhe é a aparição de um homem misterioso e muito carismático, chamado Tony – vivido por Heath Ledger, Johnny Depp, Colin Farrell e Jude Law. Tony foi encontrado enforcado pelos membros da trupe, que salvaram sua vida e o acolheram, e agora ele ajuda o espetáculo do Dr. Parnassus a se renovar e atrair grande público.

A relação entre Parnassus e o Diabo, interpretados por Christopher Plummer e Tom Waits, respectivamente, e os diversos acordos que fazem durante o filme, são um dos trechos mais interessantes do roteiro. Porém, o grande destaque do filme são os efeitos visuais, principalmente os criados em computação gráfica para retratar o universo surrealista que existe quando as personagens atravessam o espelho. Uma vez dentro dele, o cenário muda e nos deparamos com imagens belas e ilógicas, fazendo com que o mundo imaginário que o Dr. Parnassus transporta os seus fregueses cumpra a proposta de ser semelhante a um sonho.

Terry Gilliam mantém, além dessa atmosfera onírica, um clima teatral que remete à idéia de se sentar para ouvir uma história. Usa a força visual da obra e incorpora o papel de um contador de histórias, nos levando para um mundo imaginário dele, com homens imortais, pactos com o diabo e espelhos mágicos.



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