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31/03/2010 - 10h03 - Atualizado em 21/05/2012 - 18h36

Terror Psicológico

Por Gabriela Sá Pessoa, aluna do 1º ano de Jornalismo

Em "Ilha do Medo", Scorsese retrata pavor e loucura de um ex-combatente da Segunda Guerra Mundial

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Reprodução
Os atores Mark Ruffalo e Leonardo
DiCaprio

Todo filme possui uma cena inesquecível, que se aviva em nossa memória quando a ele nos referimos. Em Ilha do Medo, de Martin Scorsese, tal fragmento nos é mostrado no início do longa: um barco surge, subitamente, dentro de uma cortina de névoa, como se não tivesse mais para onde voltar e as personagens já estivessem presas a seu destino - a ilha Shutter.

Constante durante a obra, esse sentimento de prisão começa a ser delineado quando nos é apresentado Teddy Daniels, vivido por Leonardo DiCaprio. Ele está em um banheiro, sofrendo enjôos, quando olha pela janela e se vê cercado por água - símbolo do total isolamento em que costumava viver antes de partir.

Ex-combatente da Segunda Guerra, é um agente da polícia federal norte-americana e, acompanhado do parceiro, Chuck Aule, interpretado por Mark Ruffalo, é escalado para investigar o misterioso desaparecimento de Rachel Solando, personagem de Emily Mortimer, paciente do hospital psiquiátrico localizado na ilha, para onde são levados criminosos com distúrbios.

Logo ao chegar à ilha, Daniels percebe que há algo errado. Olhares ensaiados, depoimentos visivelmente forjados, além da impossibilidade de acessar os arquivos do hospital. A esses mistérios, soma-se o bilhete encontrado pelos detetives, durante uma visita ao quarto de Solando, sugerindo a existência - negada pelos diretores da instituição - de um 67º paciente na ilha.
 
Ele então, começa a ter alucinações. Sua mulher Dolores, papel de Michelle Williams, morta em um incêndio criminoso, aparece em seus sonhos, dando conselhos duvidosos e, por vezes, tentando afastá-lo do rumo das investigações.
 
Ainda que contrariado por Chuck, Daniels começa a suspeitar que assombrosos experimentos, semelhantes aos praticados em campos de concentração nazistas, sejam realizados com alguns pacientes da ilha. Tal acontecimento dá uma nova direção às ações do detetive. Ao assumir esse viés, a história também aborda - ainda que de forma sucinta - a paranoia vivida durante a Guerra Fria, propondo a seguinte reflexão: seria o contínuo terror vivido além dos limites da ilha, mais irracional do que a insanidade dos habitantes do hospital psiquiátrico? Em determinado momento, um dos pacientes afirma ser melhor viver internado com segurança do que em um mundo onde se vive sob a ameaça de “bombas H”, clara referência ao “Equilíbrio do Terror” entre EUA e URSS durante a Guerra Fria.
 
Para alguns críticos, Ilha do Medo é O Iluminado de Scorsese. Os dois filmes exploram os cantos mais sombrios da mente ensandecida, conduzindo os espectadores aos mais surpreendentes meandros das alucinações.
 
O diretor constrói seu longa com certa dose de expressionismo: a mente é uma ilha, um universo totalmente apartado do que se considera real. O medo, por sua vez, atinge a razão, tal qual, um devastador furacão, cujo resultado é, segundo o filme, corroer e apodrecer a mente.



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