Soul Kitchen junta a alta gastronomia em uma sucessão de erros hilariantes
Junte um bom cozinheiro, um apaixonado por soul music com hérnia de disco, um irmão preso na cadeia e uma garçonete. Esses são os caricatos personagens de Soul Kitchen, mais recente obra de Fatih Akin, cineasta turco-alemão, realizador de longas como Contra a Parede (2004) e Do Outro Lado (2007). Este último ganhador do prêmio de melhor filme no Festival de Cannes.
Zinos (Adam Bousdoukos) é um morador de Hamburgo, que possui um restaurante prestes a fechar. Problemas dos mais diversos cercam o grego, dentre eles a falta de talento para cozinhar, a baixa quantidade de fregueses e o irmão que vive lhe pedindo dinheiro emprestado. Isso começa a mudar quando conhece Shayn, talentoso chefe de cozinha, embora difícil de lidar, que acaba de perder o emprego. Em poucos dias, transformam o lugar em um dos pontos mais cheios da cidade, com alta gastronomia e soul music, além de pessoas dos mais diferentes estilos.
Embora seja uma sinopse leve e divertida, o filme diferencia-se de outros por adotar uma nova linha de pensamento no que concerne à gastronomia. Para Akin, o que importa não é demonstrar a fineza e criatividade em uma cozinha, mas sim trazer à tona a sensualidade e paixão que ela pode produzir. Para isso, adota as mais diferentes estratégias como, por exemplo, montar uma orgia em pleno restaurante, tudo a base de muito afrodisíaco.
Nesta obra, o cineasta descobre a veia cômica, com momentos em que o riso é inevitável. Não só isso, como também a escolha da trilha sonora colaboram para essa obra cinematográfica. Funk e soul acabam por se tornarem elementos essenciais em cada momento decisivo. Por fim, o longa destaca-se por não ser nada engajado, mas, ao mesmo tempo, capaz de traduzir todas as sensações que se passam dentro de uma cozinha. E fora dela também.
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