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11/03/2010 - 09h25 - Atualizado em 21/05/2012 - 18h24

Disfarce de comédia romântica

Por Louise Fidelis Solla e Jessica Fiorelli, alunas do 2º ano de Jornalismo

História de amor e... desconfiança no longa com Caio Blat no elenco

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Reprodução
Cena do filme

O filme Histórias de Amor Duram Apenas 90 Minutos do estreante diretor e veterano roteirista, Paulo Halm, afasta-se um pouco das temáticas comumente vistas em obras de produção nacional e se arrisca ao explorar uma abordagem quase europeia do conflito de Zeca (Caio Blat), que beirando os 30 anos, parece ainda não se adequar ao mundo dos adultos.

Aspirante a escritor, o jovem não consegue finalizar a primeira obra literária, pois alega sofrer um bloqueio criativo. Sem a necessidade de trabalhar devido à herança deixada pela mãe, ele passa a viver um ócio constante e encontra como válvula de escape a especulação sobre o suposto relacionamento entre sua mulher, a professora Júlia (Maria Ribeiro) e uma aluna, a ‘argentina carioca da gema’, Carol (Luz Cipriota).

Utilizando uma metalinguagem similar à de Machado de Assis, Halm nos confunde ao deixar no ar a real natureza da história. O envolvimento é fato ou apenas fruto da imaginação de Zeca? Seria esse o enredo de seu romance inacabado?

Definido pelo diretor como um filme disfarçado de comédia romântica, o longa relata um rito de passagem de garoto para homem que atinge a maturidade. O tema enfrenta relutância em ser discutido pelo cinema brasileiro, embora seja bastante ocorrente na vida real.

Muito da inspiração de Halm vem de fatos reais e afirma existirem tipos como o trio por aí. Como aluno e professor de cinema, conheceu muitos Zecas, jovens talentosos que, por medo de serem criticados, se sabotavam antes mesmo de uma tentativa.

Quanto às duas personagens femininas da trama, elas incorporam aspectos da mulher moderna, como o espírito livre e o desejo de aproveitar a vida manifestado por Carol, além da determinação de Júlia, sendo que ambas não abrem mão da feminilidade, por exemplo.

Outra característica marcante da obra é a sensualidade. Segundo o diretor, esse aspecto remete ao cartunista Carlos Zéfiro, conhecido pelos quadrinhos eróticos da década de 70 e 80. Já a aparência cerebral e introspectiva é atribuída a Machado de Assis. “O filme seria uma cerveja tomada em um bar da Lapa entre Carlos Zéfiro e Machado”, descreve Halm.

O longa ganhou apoio do programa cultural da Petrobrás e do Ibermedia, que estimula a produção cinematográfica Ibero-americana, além de um prêmio da ANCINE (Agência Nacional do Cinema). O diretor e roteirista conclui dizendo que levando em conta a qualidade do elenco e da produção, o custo foi baixo, porém houve muito capricho.

Embora exibido no Festival do Rio, em 2009, a pré-estreia paulistana ocorreu na Faculdade Cásper Líbero, no dia 09 de março, às 11h30. Logo após a sessão, Paulo Halm participou de um batepapo com os alunos.



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