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25/02/2010 - 10h22 - Atualizado em 22/05/2012 - 17h23

Tensão nas entrelinhas

Por Rodrigo Oliveira, Editor do site

Entre Irmãos questiona estrutura familiar

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Reprodução
Os atores Tobey Maguire e Jake
Gyllenhaal

A distância indesejada por mãe e filhas. A missão confiada e que deve ser cumprida. O caçula nomeado o mais novo abrigo. Um sentimento nasce e aflora com o passar do tempo, mas carrega consigo uma porção de culpa. Entre Irmãos trata dessas questões e de como a desconfiança pode abalar as estruturas de uma relação madura e uma família feliz.

Tobey Maguire é Sam, um fuzileiro naval obrigado a passar um período longe de casa, pois é escalado para um trabalho no Afeganistão. Pouco antes de partir,  reencontra o irmão mais novo Tommy, papel de Jake Gyllenhaal. Recém-saído da cadeia, pretende reconstruir a vida e busca apoio na família. Durante jantar de boas-vindas, ele percebe que as pessoas se mostram desconfortáveis diante dele. A cunhada Grace, vivida por Natalie Portman, não esconde a antipatia que nutre pelo irmão do marido, mas isso é pouco perto da repulsa do pai Hank, brilhante atuação do veterano Sam Shepard.

Os ânimos, atitudes e temperamentos se alteram quando uma terrível notícia chega até a família Cahill. Após queda do helicóptero onde se encontrava, Sam desaparece e é dado como morto por autoridades e membros da filiação onde exercia ofício de fuzileiro. Depois de tal acontecimento, papéis se invertem e a vida deles segue outro rumo.

A direção do longa ficou a cargo de Jim Sheridan, que despontou com o filme Meu Pé Esquerdo, obra de 1989. Ao analisarmos Entre Irmãos isoladamente, eliminando outros trabalhos dele, percebemos que dirigir atores é ponto forte do experiente realizador, pois o elenco consegue equilibrar momentos de absoluta tensão com cenas que necessitam do timing exato das personagens, por serem repletas de minúcias e sutilezas por parte do roteiro. Por exemplo, o papel de Maguire agrega características distintas; primeiro é o bom moço, depois vil e por fim insano. Artifício que exige performances densas não só dele, mas de todo o grupo escalado.

Destaque para a atriz Bailee Madison como Isabelle, uma das filhas do casal Sam e Grace. A garota mantém a sobriedade em cenas que exigem firmeza e ao mesmo tempo traços de fragilidade na atuação.

O trio principal destoa somente em algumas aparições de Portman. A personagem Grace reage de maneira frívola em momentos que a história exige um pouco mais da atriz, prejudicando assim o seu desempenho, pois é notória a superioridade das interpretações de Maguire e Gyllenhaal em algumas das cenas que dividem com a atriz.

O enredo ganha o espectador por atormentá-lo a cada minuto com questões que estão além dos valores e ideais de boa conduta. Até onde a culpa pode consumir o equilíbrio de alguém? Por que o limite entre o certo e o errado inexiste quando o amor desinteressado e generoso preenche o vazio de uma perda? O mais instigante da história é que as respostas para as perguntas ficam nas entrelinhas e só serão sanadas em período de reflexão após a sessão.

Entre Irmãos prima pela montagem concisa, delicada, mas que ao mesmo tempo consegue ser perturbadora pelas questões que deixa no ar. O drama envolve pela abordagem de temas tocantes e difíceis de serem definidos.



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