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09/02/2010 - 18h41 - Atualizado em 22/05/2012 - 15h57

Homenagem póstuma em Big Whiskey

Por Rodrigo Oliveira, Editor do site

Ousadia na produção de Rob Cavallo, coloca Dave Matthews Band em evidência novamente, com álbum cheio de nuances

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Reprodução
Capa do álbum

A rouquidão na voz do vocalista e músico Dave Matthews lembra outro artista de renome: Bruce Springsteen. Durante a segunda metade da década de 90 e com a entrada dos anos 2000, a Dave Matthews Band aos poucos conseguiu se desvincular dessa associação, trilhando rumo próprio, ao firmar-se como destaque da cena pop rock, devido às performances ao vivo dignas de serem aplaudidas de pé.

Os músicos, naturais de Charlottesville, na Virginia, ganharam visibilidade com trabalhos como Under The Table and Dreaming, que emplacou canções como What Would You Say? e Ants Marching. O sucessor Crash, obteve tanto êxito quanto o álbum de estreia, colocando a faixa Crash Into Me no posto de hit radiofônico, além de serem nomeados ao Grammy.

Após vários registros ao vivo, a banda voltou a figurar nas paradas, com o novo trabalho, Big Whiskey and the Groogrux King, um dos indicados a Melhor Álbum no Grammy 2010, categoria mais importante da tradicional premiação.

Traumas de um passado recente fizeram a banda alimentar o ‘novo rebento’ com canções que saudassem Leroi Moore, integrante do grupo, falecido em um acidente em agosto de 2008. Ele era um multi-instrumentista, acumulando funções nas turnês mundiais da Dave Matthews, mas ficou conhecido pelas performances com o saxofone.

O trabalho mais recente é uma homenagem ao amigo, desde o título do álbum, pois Groogrux era o apelido de Moore, até a primeira faixa, intitulada Grux, com um saxofone em atuação solo. Mas o disco vai muito além do clima de reverência ao ex-membro fundador e transcende o objetivo.

Após excelentes desempenhos em álbuns como Goodbye Alice in Wonderland, da cantora Jewel e American Idiot, trabalho maduro e divisor de águas do trio Green Day, Rob Cavallo, produtor do cd, estabelece cadência amena em boa parte das canções, mas repletas de nuances que enriquecem a parte instrumental.

Lying In The Hands of God, Dive in, Baby Blue e You And Me são músicas que contribuem para a inexistência de quebra da linearidade das faixas do começo ao final das execuções, ou seja, seguem um rumo mais tradicional, excluindo a presença de dissonâncias.

As marcações da bateria juntamente com a guitarra se destacam na faixa Why I Am, momento em que a voz de Dave Matthews se mostra vivaz como nunca, pontuando a canção como uma das mais irresistíveis, assim como Shake Me Like a Monkey, que além disso tudo, contém trechos sem interrupções do vocalista cantando versos, razoavelmente extensos.

Time Bomb é a música mais pesada do álbum, não só pela forte junção dos instrumentos característicos de uma boa balada rock, mas pelo conteúdo da letra. Versos como: “ Baby when I get home, help me pick up the pieces, hammer in the final nail, I wanna believe in Jesus”, geram reflexão e exigem algum tipo de interpretação de quem os escuta.

As ilustrações do álbum complementam o excelente trabalho. A riqueza de detalhes dos desenhos impressionam e instigam as pessoas a fazerem uso do encarte, seja para acompanhar as letras ou somente apreciar as figuras.

Big Whiskey and the Groogrux King é obra de uma banda que merecia alguém para revitalizar o som que vinham fazendo. Rob Cavallo desempenhou o papel com maestria, presenteando-nos com um dos melhores álbuns de 2009.



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