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04/02/2010 - 11h10 - Atualizado em 21/05/2012 - 18h12

Rock n' Roll de Primeira

Por Fernanda Patrocínio, aluna do 3º ano de Jornalismo

Metallica retorna ao Brasil em grande estilo e mostra porque são os maiores do heavy metal atual

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Reprodução
Banda que se sustenta no
cenário musical há anos

20h50 do domingo, 31 de janeiro de 2009. As luzes do estádio paulistano Cícero Pompeu de Toledo – o popularmente conhecido Morumbi – se apagaram. Os mais de 50 mil pagantes gritam e sacam câmeras fotográficas e celulares. Ao som da música de Enio Morriconi, The ecstasy of Gold, são projetadas nos três telões cenas do filme The good, the bad, the ugly - clássico do faroeste americano com o ator consagrado no gênero, Clint Eastwood. O clima faz crescer cada vez mais as expectativas, até que Lars Ulrich saúda a plateia. Nas primeiras batidas da bateria, já surgem James Hetfield (guitarra base e vocal), Kirk Hammett (guitarra solo) e Robert Trujillo (baixo). O Metallica está completo e o 130º show da turnê mundial World Magnetic começa com o clássico Creeping Death, do álbum Ride the Lightning.

Após 11 anos, o Metallica retornou ao Brasil com três shows: um em Porto Alegre e dois em São Paulo (sendo o de sábado com ingressos esgotados). Promovendo o álbum Death Magnetic lançado em 2008, a banda americana supre 7 anos de frustração dos fãs brasileiros. Em 2003, foi cancelada a turnê brasileira para o álbum St. Anger, com grande parte dos ingressos já vendidos. Nas perfomances do último final de semana, a espera do público foi recompensada com apresentações repletas de sucessos. Segundo Lars Ulrich "setlists variam de um show para o outro, para tocar algumas músicas que são pouco tocadas, dependendo da mensagem que a banda quer passar para o publico".

O vocalista Hetfield foi o interlocutor entre a banda e a plateia, instigando esta última o tempo todo. “Estão prontos?”, perguntou, enquanto o coro entusiasmado respondia “YEAH!”. Era o indício de que algum clássico do heavy metal estaria por vir. Fuel foi o último toque para a banda conquistar de vez quem estava lá - e foi apenas a terceira música.

Debaixo da chuva que caía incessantemente desde o show de abertura feito pela banda brasileira Sepultura – iniciado às 19h40 -, o Metallica soube animar o público. Para retribuir o aquecimento feito pela banda brasileira, Hetfield dedicou Sad But True a ela. Usando os telões e pirotecnias, em músicas aclamadas como One fogos de artifícios e intensas labaredas de cerca de 10 metros complementavam o cenário – era possível sentir o calor dos efeitos dos setores vermelho e azul do estádio.

The Unforgiven, Welcome Home (Sanitarium), Master of Puppets, Nothing Else Matters, Enter Sadman foram as músicas que levaram os fãs ao delírio na primeira parte do show de domingo. Um intervalo rápido e a banda voltou para o bis. Expectativa e diálogo. O vocalista dá a dica que será uma música do álbum Garage Inc – o disco de regravações. O público comenta entre si os palpites. Helpless é a escolhida. Em seguida Hit the Lights incendeia o público. O vocalista diz que o Metallica tem os melhores fãs do mundo e instiga: “Vocês querem esta música? Aquela que tem 3 palavras? Então acendam as luzes”. O Morumbi é iluminado e a plateia grita Seek and Destroy.

Valeu a pena esperar. O Metallica provou nas duas horas de apresentação porque recebe o título de maior banda de heavy metal do mundo, apesar de sua conturbada história envolvendo muita droga, álcool, brigas e até morte do baixista Cliff Burton em um acidente esmagado. Com fórmula básica e performance intensa, a banda americana reviveu os riffs e solos marcantes que tanto construíram sua história e músicas novas que foram bem recebidas, como Cyanide e That was just your Life. Com uma cozinha bem articulada, Lars Ulrich conduziu com maestria todas as músicas. Nem os preço abusivos (cerveja R$6,00, camiseta e estacionamento R$70,00 cada, ingressos acima de cem reais) e nem as chuvas, ofuscaram o objetivo de todos os pagantes: conferir de perto uma das maiores lendas do rock mundial.



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