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04/02/2010 - 11h39 - Atualizado em 21/05/2012 - 18h10

Nova aposta de Stephen Frears, Chéri, está em cartaz

Por Wilson Saiki, aluno do 3º ano de Jornalismo

Diretor elege novamente Michelle Pfeiffer para filme

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Reprodução
Os atores Michelle Pfeiffer e Rupert
Friend

Chéri, novo filme de Stephen Frears após A Rainha (2006), guarda algumas semelhanças com Ligações Perigosas (1988): o roteiro adaptado de Christopher Hampton; a presença marcante de Michelle Pfeiffer e a França, desta vez durante a belle époque, apontando a transição social e política de um período. O longa é baseado no livro homônimo da escritora Collette, que está sendo reeditado pela Record e quando lançado em 1920 causou polêmica por sua linguagem erótica, mas deu à escritora o reconhecimento posterior pela importância de suas obras.

O personagem que dá nome ao longa é o filho de uma rica cortesã, Madame Peloux (Kathy Bates), que decide deixar aos cuidados de uma antiga rival e companheira de profissão, a bela Lea de Lonval interpretada por Michelle Pfeiffer, a educação amorosa do único filho, o jovem Chéri (Rupert Friend), apelido criado por Lea quando ele ainda era um menino.

No início do filme, Frears utiliza – até exageradamente – o recurso narrativo. O poder que as cortesãs tinham na sociedade e as figuras importantes, entre reis, príncipes e marajás, seduzidas por estas mulheres que ficaram socialmente subjugadas são lembrados.

Aos 51 anos, Michelle Pfeiffer consegue usar toda sua beleza para dar vida a Lea, personagem que vive feliz, mas que nunca conseguiu estabelecer uma relação de amor. Após aceitar o convite de Madame Peloux, interpretada brilhantemente por Kathy Bates, Lea e Chéri vivem juntos por seis anos e o que parecia improvável torna-se fato, apaixonam-se.

A mãe de Chéri, entretanto, resolve casá-lo com Edmée (Felicty Jones) – filha de outra rica cortesã. Felizmente, a história não cai no tom melodramático da luta por um amor impossível. Os personagens são fortes e possuem as nuances necessárias para criar jogos de sedução e intrigas, presentes também em Ligações Perigosas.

A interpretação do jovem casal, Chéri e Edmée, não compromete, apesar de não transmitir a mesma força das experientes atrizes. Michelle Pfeiffer cumpre o papel de revelar a dificuldade feminina em assumir o envelhecimento, mesmo que mantenha uma beleza encantadora, ela aparenta sinais claros de que não é mais aquela que conquistou a paixão de vários homens.

Outras cortesãs também são obrigadas a conviver com a nova realidade. Madame Peloux, por exemplo, faz questão de mostrar a Lea, com tiradas de humor e ironia, que os tempos mudaram. Entretanto, ela também não é a mesma, vive em um palácio suntuoso, escuro e decorado com objetos antigos, tentando guardar o que já não existe mais.

Entre os belos figurinos, a trilha sonora perfeita e as críticas sutis que Stephen Frears coloca contra a sociedade, Chéri prende o espectador com uma história de personagens marcantes.



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