George Lucas amarra a saga fantástica com luta e emoção ao filmar os três primeiros episódios
A saga termina. Após 28 anos e 6 filmes, a série cinematográfica Star Wars terminou com o lançamento do Episódio III - A Vingança dos Sith, em 2005. Ao fim desta primeira trilogia são respondidas questões levantadas nos três primeiros filmes da série – respectivamente os episódios IV, V, e VI –, dando ao espectador maior noção sobre a complexidade que envolve a trama, sobretudo a do personagem Anakin Skywalker que se transforma em Darth Vader.
Inspirado no livro de Joseph Campbell, O herói de mil faces, George Lucas criou um universo fantástico, repleto de elementos míticos. A dúvida entre o bem e o mal, a opressão sobre a mocinha aparentemente indefesa e os sentimentos exacerbados são alguns dos temas levantados da saga. Com receio da não aceitação do público na década de 1970 deste novo tipo de enredo com ficção científica, Lucas optou por lançar os três últimos episódios primeiro. Somente em 1994 anunciou que daria continuidade aos filmes, pois para ele o desenvolvimento tecnológico para a produção cinematográfica havia atingido um nível o qual ele poderia reproduzir a história da forma mais próxima como havia imaginado.
O Episódio I - A Ameaça Fantasma (1999), insere o jovem Anakin Skywalker na comunidade Jedi. Obtido como um prêmio de aposta, o pequeno escravo do planeta Tatooine se liberta e é treinado pelo mestre Jedi Qui-Gon Jinn e posteriormente por Obi Wan Kenobi. Quin-Gon crê que naquela criança se completará a profecia do Escolhido e ao submetê-lo ao exame de midi-chlorians – espécie de DNA Jedi – se convence disso. Neste primeiro episódio é apresentada ao público a rainha Padmé Amidala, que fará par romântico com Anakin nesta primeira parte da Trilogia.
O segundo episódio, Ataque dos Clones (2002), já evidencia o romance proibido de Padmé e Anakin, pois um cavaleiro Jedi deve se focar na Força e no bem coletivo, abrindo mão de suas vaidades. Há também neste capítulo uma conspiração para matar a rainha, uma vez que Amidala representa a sociedade republicana e o lado negro da Força quer instaurar o império.
O terceiro episódio é marcado pela quantidade de efeitos especiais – são 2.200 ao todo – em virtude das lutas. É o único episódio em que há batalhas simultâneas. A dualidade vivida por Anakin é o ápice de toda trama, além de sua transformação em Darth Vader. O nascimento e a separação dos gêmeos e a morte prematura de Padmé são uma alegoria ao golpe de Estado então aplicado: a república entra em ruína e o imperador Vader surge para comandar a galáxia.
A saga elaborada pelo diretor e escritor George Lucas mostrou uma nova forma de fazer cinema, reproduzindo uma fantasia complexa. Se o aparato tecnológico foi um grande trunfo, a escolha do elenco pode ter deixado alguns fãs desapontados. Ewan McGregor encarna muito bem o papel de ObiWan Kenobi, transparecendo a disciplina e seriedade deste cavaleiro. Samuel L. Jackson e Christopher Lee também contribuem, porém em participações menores, como respectivamente o Jedi Mace Windu e o vilão Darth Tyranus. Já o par romântico formado por Hayden Christensen e Natalie Portman – Anakin e Padmé - não conseguem tal empatia, de maneira pouco convincente sobre as emoções demonstradas. Apesar de ter sido creditado nos três filmes, o ator Frank Oz atuou somente no primeiro episódio, emprestando sua voz para os dois seguintes, pois o personagem mestre Yoda foi construído através de trabalhos gráficos, assim como o atrapalhado Jar Jar Binks.
Star Wars tem uma narrativa que se mantém atual, pois lida com sentimentos de qualquer pessoa. Os sentimentos egoístas e a postura corruptível de Anakin evidenciam pequenas ações presentes na trajetória humana. A trajetória deste herói, que traz dentro de si o anti-herói, mostra que a vida é feita a partir de escolhas. E que, principalmente, é preciso encarar as consequências com a mesma dignidade que se impulsionam os atos.
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