Arte do canal

índice geral



Home / Cultura Geral / Notícias

19/01/2010 - 10h46 - Atualizado em 17/05/2012 - 21h52

O pensamento índigena no Café Filosófico

Por Isabella Ayub, aluna do 1º ano de Jornalismo

Lúcia Helena Rangel e Benedito Prezia discutem a questão indígena

Compartilhe:


Reprodução

O Café Filosófico, de volta ao Parque Trianon, na edição do mês de abril, foi palco de discussão sobre a questão indígena e o pensamento selvagem. Os debatedores convidados para o evento foram a antropóloga Lúcia Helena Rangel, doutora em Ciências Sociais (PUC-SP) e coordenadora do relatório "Violência contra os povos indígenas no Brasil" e o filósofo Benedito Prezia também doutor em Ciências Sociais (PUC-SP). Após uma breve apresentação da banda “Rádio Vitrola”, composta por estudantes de RTV do primeiro ano da Cásper, o evento teve início.

Lúcia Helena citou a obra O Pensamento Selvagem do antropólogo francês Claude Lévi-Strauss para exemplificar a visão ocidental do século XX sobre os povos indígenas. “O título de sua obra é uma provocação, já que o termo ‘selvagem’ se aproxima de algo animalesco e designa povos que supostamente não vivem em sociedade e são profanos, promíscuos”.

Tal concepção, combatida pelos antropólogos, foi substituída por outra, a qual não classifica os povos indígenas como mais ou menos civilizados ou evoluídos, mas que os entende por seus aspectos culturais. Eles “constituem uma maneira de ser, de existir”, segundo Lúcia Helena.  Ela adiciona: “a ciência é uma necessidade do ser humano” tendo como referência a obra Ciência do Concreto, de Lévi-Strauss. E mais, o homem “precisa de conhecimento para poder existir”, demonstrando que a ciência e as técnicas estão presentes mesmo nas sociedades indígenas.

Passando para o plano religioso e espiritual, a professora salienta a importância do mito não só para os povos indígenas, como também para o ser humano. “Os mitos surgem junto com o homo sapiens e com a magia. Eles são a maior expressão do pensamento humano e constituem a porta de entrada para a filosofia e a ciência”.

Já para Benedito Prezia  “a sabedoria indígena é pouco estudada na nossa cultura”. Ele recorre à história e cita a experiência ocorrida no século XVI com o antropólogo Jean De Léry, quem viveu com os Tupinambá, para demonstrar que temos muito para aprender com a sabedoria indígena.

Ele comenta a existência de uma espécie de “economia de partilha e reciprocidade”, ela consiste na solidariedade entre todos os membros de determinada sociedade indígena, dividindo o alimento e vivendo em pé de igualdade em uma sociedade desprovida de classes sociais. “É como uma grande família, eles possuem mãos abertas reciprocamente. Ou seja, dar é um elemento fundamental para eles”, afirma.

Prezia faz um paralelo entre a sociedade ocidental, que valoriza o individualismo e o isolamento, e as sociedades indígenas, mostrando o quanto é possível aprender com a sabedoria desses povos, atentando para o fato de que “é necessário retornar ao nosso passado cultural para aprender a viver no mundo que nos envolve”.

No fim do evento a professora Lúcia Helena Rangel fez ainda algumas considerações sobre a questão do racismo implícito na sociedade brasileira para com o índio.  O evento se encerrou ao som da banda Rádio Vitrola e com o sorteio de livros dos palestrantes.



Comentários Comentários Postados
Comentários Envie o seu comentário

Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler

Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.

Os comentários devem se ater ao texto publicado.

Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.

restam caracteres.