No último dia do 7º Ciclo de Cinema de Cultura Geral, foi exibido Caché, produzido em 2005. O longa mostra a história da família de Georges Laurent, que se sente ameaçada após receber correspondências anônimas – desenhos, cartões-postais e vídeos. Alguém está filmando a família Laurent. A partir dessa premissa, o diretor Michael Haneke discute algumas questões sociais da França.
A professora Eliany Salvatierra Machado, de Teoria da Comunicação, cita o crítico André Bazin (1918 – 1958), que discordou da técnica de enquadramento da câmera do cineasta russo Sergei Eisenstein (1898 – 1948). Para Bazin, a câmera deve acompanhar o personagem, buscar a ação. A partir disso, Eliany faz uma relação com a idéia desenvolvida pelo filósofo francês Michel Foucault sobre o panóptico - ponto estratégico que permite uma visão de tudo o que cerca uma pessoa. A câmera, ao buscar a ação do personagem, o vigia e o controla, como o “olhar de Deus”.
O professor Roberto Chiachiri Filho afirmou que “o filme todo é aberto”, pois gera deliberadamente múltiplas interpretações, sem dar pistas ao público. Isso se evidencia no filme na ausência de trilha sonora - segundo Roberto, a música encaminharia o espectador para a interpretação de uma cena.
Liráucio Girardi Jr., professor de Sociologia da Comunicação, compara o título (“Cachê”, “escondido”, em francês) com seu significado na informática: “é um rastro de navegação deixado oculto na rede, mas não apagado”, aponta. No filme, Georges Laurent é atormentado pelo seu passado, que chega na forma de fitas e cartas supostamente envidas pelo argelino Majid, cujos pais trabalharam para a família Laurent. De acordo com Liráucio, a memória “reconstrói narrativas a partir de fragmentos” e, citando Waly Salomão, poeta baiano, “uma ilha de edição”.
Eliany, baseada na obra “Da existência ao existente”, de Emmanuel Lévinas, ressaltou a questão da alteridade no filme, na relação do francês com o estrangeiro: “somos responsáveis pelo outro, o ‘diferente’”. Liráucio compara isso ao relacionamento entre colonizador (França) e colonizado (Argélia).
Neste sábado, os alunos do período noturno terão a oportunidade de assistir ao filme Rede de Intrigas, exibido na terça-feira.
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