
A comicidade é natural no ser humano, e está presente na vida de todos. Busca-se, primeiro, entender as características principais que tornam os seres humanos capazes de rir. Dentre elas, adotar uma postura ereta, possuir um cérebro bem desenvolvido que lhes proporciona as capacidades de raciocínio abstrato, linguagem e introspecção. A mente é responsável pela complexidade do comportamento humano, especialmente da linguagem.
Assim, percebe-se uma das poucas características de distinção do homem, por exemplo, de um chimpanzé adestrado: a linguagem e a capacidade de raciocínio desenvolvidos. Por esses fatores, o homem é capaz de rir. Uma lhama saberia dar boas risadas de uma situação cômica se ela tivesse a mesma complexidade racional que nós.
E não somente o raciocínio, mas também o desenvolvimento da comunicação e da linguagem em sociedade contribuem para o riso. O cômico não é um fator individual. Ri-se de alguém, para alguém, com alguém. Se sozinho, possivelmente, lembrando de alguma situação social.
Para citar um exemplo, “A Comédia dos Erros”, de Shakespeare, mostra a comicidade humana em um meio social e através de um humor empregado em várias situações que deleitam o público. Da tristeza e da tensão de ter uma família separada e de Egeu sentenciado à morte, surge o elemento do humor.
Segundo Kant, o riso é uma “súbita transformação de uma expectativa tensa em nada”. Como a expectativa pelo encontro dos irmãos de Siracusa e Éfeso, quebrada por situações humorísticas.
O cômico simples, também, está presente, de maneira praticamente infantil, como nas pancadas que os Drómios de Siacusa e Éfeso recebem na confusão de reconhecimento de seus mestres. E nos xingamentos e nas comparações com um jumento, trocadas pelos personagens a todo o momento.
Hélio Schwartzman, no ensaio, “Explicando a piada”, entende o ato do xingamento como típico de um humor para os jovens. Contudo, com a peça, percebe-se que um público muito maior se divirte com isso. Além da quantidade de produtos televisivos e cinematográficos em que usam o xingamento tem efeito humorístico.
Outro efeito de humor é o da loucura. A confusão gerada na narrativa faz os personagens pensareem estar loucos, acusando uns aos outros.
O riso varia de um estado emocional individual, um momento e um lugar apropriado. Em “A Comédia dos Erros”, o ar cômico é capaz de prender o público. Seja no teatro com falas ensaiadas, ou simplesmente num tropeção no meio da rua, rir é uma característica humana essencial e não deve ser esquecida.
Comentários Postados
Envie o seu comentário
Caro leitor, esse espaço foi criado para que você opine e discuta a matéria que acabou de ler
Cada comentário comporta no máximo 600 caracteres.
Os comentários devem se ater ao texto publicado.
Mensagens ofensivas, provocativas ou que contenham palavras de baixo calão serã excluídas.