
Não estamos mais nos anos 1960. A corrida mundial é contra o tempo, a paz é garantida pelo mercado e o mundo não tem só dois pólos. E a semelhança é a preocupação com o progresso.
Em um ambiente onde todos os olhos estão voltados para o futuro, falar sobre um acontecimento de 40 anos atrás parece retrocesso. Não é à toa, porém, que, em 2009, se comemora o quadragésimo aniversário do festival de Woodstock.
O contexto era o da Guerra Fria, conflito ideológico entre Estados Unidos e URSS, duas grandes potências. Elas representavam pólos opostos e dominantes, socialismo e capitalismo.
Seguindo a própria lógica de oposição à guerra e à cultura americana da época, surgiu o movimento hippie. Desvinculados da sociedade tradicional dos Estados Unidos, os hippies eram contrários à vida urbana e industrial, viviam em comunidades igualitárias e afastadas das cidades, garantindo a sobrevivência com a venda de produtos artesanais. Seus relacionamentos, também, não eram convencionais, já que seus ideais de liberdade permitiam a prática da poligamia e o homossexualismo não era reprimido. Seu auge foi o festival de Woodstock, realizado em Bethel, Nova York, nos dias 15, 16 e 17 de agosto de 1969.
A previsão de um público de 200 mil pessoas foi ultrapassada para a de 300 mil. Diante do inusitado sucesso, a solução dos organizadores foi quebrar as cercas e torná-lo gratuito.
Nos três dias, o rock’n roll foi o pano de fundo para a exaltação da liberdade da mente e do corpo. A chuva regava o lugar, servindo de complemento ao uso de drogas psicotrópicas. Os solos de guitarra psicodélicos, característicos da contracultura, inspiravam o movimento hippie. Entre os artistas que se apresentaram no festival, destacam-se Santana, Janis Joplin, Creedence Clearwater Revival, The Who e Jimi Hendrix.
Os shows do Woodstock são até hoje lembrados pela originalidade e ousadia. A revista Rolling Stone incluiu o evento na lista dos 50 Momentos Que Mudaram a História do Rock’n Roll.
Muito da nossa cultura foi emprestado dos anos 1960, assim, estuda-se a possibilidade de retomar o projeto do Woodstock, como em 1999, pelo mesmo produtor. Michael Lang ainda negocia a realização do evento, que pode acontecer em Nova York e Berlim, em agosto.
De qualquer forma, 1969 está profundamente enraizado em cada um de nós, conscientemente ou não. Os valores pelos quais os hippies e os muitos defensores da contracultura lutaram sobrevivem e nos resta ver o que mais irá florescer da semente do Woodstock.
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