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15/01/2010 - 09h13 - Atualizado em 19/05/2012 - 23h18

As teias do processo criativo

Por Pedro Zambarda, aluno do 3º ano do Jornalismo

A aranha e a elaboração de um texto

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Reprodução

Texto vem do verbo tecer e do traçado que, unido, forma textura. Assim, esta forma de expressão gera superfícies, geométricas e disformes. O processo de criação de uma simples nota envolve uma equação de palavras, articulação de significados em forma de respostas e uma estética que vai além de blocos de concreto, códigos binários ou fórmulas químicas. Para o amante da escrita, é uma estética sublime.

Como uma aranha, o escritor cria, com ele, sua morada, em forma de rede, recluso ou em comunicação. Muitas vezes, como uma aranha grávida, não suportamos o processo criativo e devoramos nossos filhotes, o próprio texto. Pode chegar ao ponto de devorar seu par, como o escritor que perde sua fonte de inspiração. Deixa rastros, muito mais complexos do que uma simples caminhada. E, por fim, a teia pegajosa das informações pode, além de deixar sua marca, capturar fragmento de um objeto, alheio ao seu propósito inicial. O texto adquire uma utilidade que transcende sua superfície.

Podemos queimar os textos ou matar a “viúva negra”, que continua a lançar seus tecidos, seja como arma ou apenas como locomoção. Do mesmo modo, para cada escrito desaparecido, a rede gera dezenas de outros. Enredados, os indivíduos se tornam leitores alheios ao processo ou, por questão de sobrevivência, passam a fazer parte da prática, sendo que a sociedade evolui em um emaranhado. Todas as etapas da evolução do homem passaram pelo controverso processo do coletivo e do criativo.

As teias e as palavras, também, buscam, além do acaso, aprisionar determinados leitores. São criados formatos que agradam acadêmicos, técnicos, pensadores e pessoas, que não tem a menor intenção de pensar. A alienação não é culpa exclusiva do criador do código, mas daquele que não consegue se afastar do que está preso em seu corpo e em seu consciente.

Não há idéia mais apaixonante do que transformar um punhado de letras – na verdade, apenas linhas – em construções que nos sustentam. Também, não há terror maior do que pensar que, embora, matematicamente, pareça que tudo já foi escrito, novos texto e rede podem surgir de manipulações que se estendem pela história dos homens.

Embora a aranha seja um animal que provoca repulsa à maioria dos homens, a sua sobrevivência se assemelha ao processo, estranho e de múltiplas visões, que é escrever um texto. Seja para a sobrevivência, para a dominação ou por puro prazer, o texto é uma forma de vida, com seu tempo único.



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