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15/01/2010 - 13h59 - Atualizado em 22/05/2012 - 09h27

A cultura de massa para Edgar Morin

Por Beatriz Cavinato, aluno do 4º ano de Rádio e Televisão

Mitos, imaginário e a vida prática

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Reprodução
o sociólogo Edgard Morin

Em “Cultura de massas no século XX”, o sociólogo Edgar Morin procura dar uma resposta às grandes questões do nosso tempo, provocadas pela mídia.

As sociedades modernas são policulturais, compostas por culturas nacionais, religiosas ou humanistas. Depois da segunda Guerra Mundial, a sociologia americana percebeu esta configuração e a denominou cultura de massa, produzida por uma indústria e destinada a um grande público, independentemente, das estruturas internas da sociedade. E, por um processo de segunda industrialização, domina o interior do ser humano.

Como conseqüência desse processo, o espírito humano passa a ser colonizado, assim como a África e a Ásia o foram. Isso cria uma cultura industrial, surgida e impulsionada pelo espírito capitalista, no âmbito do Estado e da iniciativa privada, a partir das invenções tecnológicas, que se desenvolvem, indiscutivelmente, pelo lucro.

Para a indústria cultural atingir um público extenso,a massa, é necessária uma variedade na informação ou no imaginário. O produto da cultura deve ser eclético, em temas como, por exemplo, esportes, humor, religião, política e arte.

Porém, essa variedade é homogeneizada, criando um estilo universal, o sincretismo. Como no cinema, em que “um filme de aventura, haverá amor e comicidade, num filme de amor, haverá aventura e comicidade e num filme Cômico haverá amor e aventura”. Deste modo, a cultura de massa atende às demandas do “homem médio universal”, uma espécie de anthropos universal, cujo paradigma repousa na noção de juventude. O homem médio é o jovem.

A temática da juventude é um dos elementos fundamentais da nova cultura. Não são apenas os jovens e os adultos jovens os grandes consumidores de jornais, revistas, discos, programas de rádio, mas os temas da cultura de massa são também “jovens”.

A manifestação principal da cultura de massa, segundo Morin, é o espetáculo, que decorre de uma ênfase da cultura de massa no lazer. Esta relacionada a um tipo de organização do trabalho que entende o lazer como uma atividade reparadora. O espetáculo é a manifestação de conteúdos estéticos que determinam uma forma de relação. Esta faz com que o espectador – no caso, do cinema – participe do filme, já que entra em um universo imaginário, vivenciado pelo espectador.

Segundo Morin, a partir da década de 1930, a cultura de massa apresenta, em seus produtos, a figura do herói simpático com destino de conduzir o imaginário da audiência à realização do happy end. Assim, ele se associa à “tirania do happy end”, em que ele determina, necessariamente, a ação feliz.

Esta felicidade está, estreitamente, ligada ao tema do amor, um “arquétipo dominante na cultura de massa”. Encaixado em quaisquer contextos, diferentes do romance. “O aventureiro, o cowboy, o xerife, sempre encontram na floresta virgem, na savana, no deserto, nas grandes planícies do Oeste, o amor de uma heroína pintada e bela.” O amor, recorrente nas produções da cultura de massa, representa os “valores femininos”, para se contrapor à virilidade da ação.

Ao escrever o livro, Edgar Morin se posiciona de forma pessimista em relação à cultura de massa. E não deixa de enxergar um componente de dominação, pois, devido às mutações da sociedade, a cultura de massa se integra à vida social. O livro foi escrito na década de 1960 e os assuntos tratados ainda se encaixam na sociedade de hoje ao explicar o surgimento da cultura de massa e ao analisar suas relações com outras culturas e com a sociedade.



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