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15/01/2010 - 10h42 - Atualizado em 20/05/2012 - 17h28

A comédia Clássica através de Os Cavaleiros

Por Danilo Almeida, aluno do 3º ano de Publicidade e Propaganda


Reprodução
O Gordo e o Magro

A peça Os Cavaleiros, de Aristófanes, ambientada no alvorecer da Guerra do Peloponeso, século V a.C., se passa em uma ágora e é uma pintura da cena política ateniense deste período. O texto é uma crítica ácida a Cleon, um dos homens mais poderosos da época, rival de Aristófanes. Ninguém ousava interpretar o papel de Cleon, pois seria ridicularizar uma figura influente. Coube ao próprio Aristófanes finalmente interpretar o papel.

Para compreender a história, entretanto, é necessário um rico repertório da cultura grega, de modo que muitos maneirismos e conotações não passem despercebidos. Sendo assim, as notas de rodapé são relevantes.

A trama envolve um ancião chamado Demos, do grego "O Povo", seus.dois escravos, Nícias e Demóstenes, mais dois generais atenienses da Guerra do Peloponeso. Todos estão descontentes pelo modo como Paflagônio, ou seja, Cleon,vem os tratando e a seu mestre, Demos. Com interesses próprios, o par de escravos concebe um plano absurdo para reverter a situação, que mais tarde se revela como um ardil para substituir Cleon e a posição dele como protegido de Demos por um Chouriceiro.

A comédia nasceu na Grécia Antiga e o Os Cavaleiros é um exemplar perfeito para a sua análise. A contextualização não poderia ser mais pertinente ao que temos hoje como as origens da comédia, tanto em tempo como em espaço.

A peça começa com uma cena cômica de dois escravos discutindo absurdos e bolando um estratagema, dentro de um modelo clássico de comédia. Grande parte dos comediantes mais influentes contemporâneos utilizavam essa formação de dupla, como por exemplo O Gordo e o Magro, Os Irmãos Marx, Abott e Costello.

Inevitavelmente, na maioria das vezes o roteiro evoluía para a interação da dupla com mais personagens, criando uma comédia de situações sobre cotidiano, chamada hoje de Sitcom, sempre com ênfase maior nos dois personagens principais. É exatamente isso que acontece em Os Cavaleiros.

Mais tarde, ao abordar o Chouriceiro, a trama passa a ter três figuras cômicas. Os Três Patetas, por exemplo, Uma fórmula sempre usada para colocar Moe, Larry, e Curly em situações adversas orbitava em um plano para alcançar o esdrúxulo em prol das risadas.

Quando o Chouriceiro e o Paflagônio começam a discutir, o roteiro vira um tênis de mesa chinês, com os dois trocando petardos, um após o outro, numa discussão cíclica no melhor estilo Pernalonga e Patolino.

Menos que um cidadão comum, retratado por Aristófanes como escória, o Chouriceiro vira Senador, e o plano funciona.

Quando o palco é tomado pela pluralidade da plebe, dos cavaleiros, e das figuras políticas em um mise en scène maluco e absurdo, lembramos Monty Phyton, Kids in the Hall, ou até mesmo Casseta & Planeta. Como sempre, há insultos de baixo calão, um recurso deselegante para manter a platéia entretida entre uma tirada inteligente e outra, recurso utilizado até hoje e sempre vão ser.

A proximidade de todos esses expoentes da cultura do riso e da comédia Clássica é maior do que as pessoas usualmente imaginam. Conhecendo ou não Aristófanes, ou a comédia grega, ela está lá, se esgueirando 2400 anos até nós. O repertório que as pessoas têm para escoler seus clássicos é certamente alicerçado em cultura Clássica.



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