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14/01/2010 - 12h36 - Atualizado em 20/05/2012 - 23h00

Preconceito, julgamento e um veredicto

Por Narlir Galvão, aluno do 1º ano de Jornalismo


Reprodução
A sala de júri de "12 Homens"

A construção narrativa, pautada na crítica e na humanidade das personagens, é uma das marcas de Sidney Lumet. Em seu filme de estreia, "12 Homens e Uma Sentença" (1957), Lumet já demonstrava a habilidade que seria eternizada nos clássicos "Serpico" e "Rede de Intrigas".

Considerado pelo American Film Institute um dos 100 melhores filmes americanos da história, o primeiro filme do diretor conta a história de 12 homens que fazem parte de um júri que tem a tarefa de sentenciar o caso de um garoto de 18 anos, acusado de matar o próprio pai. O elenco é composto por Henry Fonda, Lee J. e Jack Warden.

Lumet consegue amarrar a trama que se concentra em apenas um local: a sala de júri. O espectador se questiona mais, já que as personagens estão praticamente enclausuradas e com um impasse a ser resolvido.

No início, o júri, em uma votação necessariamente unânime, quer declarar o réu culpado. No entanto, o jurado nº 8, personagem de Henry Fonda, acredita na inocência do acusado e vota "not guilty", ou seja, inocente. Esta decisão enfurece os outros membros, que estavam superficialmente convencidos da culpa do acusado.

Assim, o jurado nº 8 argumenta sobre sua escolha com base naquilo que foi exposto no tribunal. Como a faca utilizada pelo acusado, o tempo que uma das testemunhas levou para ver o suposto criminoso após o homicídio, ou os óculos de outra testemunha, detalhes colocados ao longo do filme e , incrivelmente, capazes de mudar a opinião de cada um.

Todavia, entre esses argumentos, um é extremamente interessante e provoca a repulsa dos jurados. Com base em uma opinião preconceituosa, o jurado nº 10, representado por Ed Begley, julga o garoto como membro de uma classe de pessoas que mentém e que não precisa de motivo para matar alguém. Dessa forma, percebe-se que o preconceito dos jurados ofuscou a visão sobre o crime.

Com um enredo, baseado na argumentação e no debate, que revela os pensamentos da sociedade e o equívoco cometido. O jurado nº 3, em uma performance surpreendente de Lee J. Cobb, constrói argumentos infundados, julga o réu culpado pelo fato de não gostar daquele garoto, daquelas pessoas. Porém, diferente do jurado n° 10, ele acaba por refletir sobre aquilo que havia pensado e, por fim, escolhe pela inocência do acusado, em uma das cenas mais marcantes do longa.

O cineasta optou por não revelar a identidade das personagens, o que sugere estarem apenas como pano de fundo para a resolução daquele caso, originando novas conclusões e mostrando os pensamentos que guardamos para nós. "12 Homens e Uma Sentença" é quase uma "lição de moral", a respeito dos conceitos que a sociedade transmite e que persistem na nossa visão de mundo.



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