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14/01/2010 - 13h18 - Atualizado em 20/05/2012 - 10h11

As Relações Perigosas do cinema e da literatura

Por Nathalia Garcia, aluna do 2º ano de Jornalismo


Reprodução
Cena de Ligações Perigosas

Na versão cinematográfica de Ligações Perigosas de 1988, , o diretor Stephen Frears demonstra domínio para abordar as relações sociais entre a aristocracia francesa, no século XVIII. A temática foi trabalhada a partir da peça de Cristopher Hampton, inspirada no romance As Relações Perigosas, de Choderlos de Laclos.

A trama se desenrola como um jogo de sedução, intriga e vingança. A Marquesa de Merteuil, interpretada por Glenn Close, pede ajuda para o Visconde de Valmont (John Malkovich) para se vingar de seu ex-amante que está prometido a jovem Cécile Volanges (Uma Thurman). Considerando a tarefa de conquistar a menina muito simples, ele prefere seduzir a Presidenta de Tourvel (Michelle Pfeiffer), mulher casada, fiel e religiosa. A partir dos novos planos, a Marquesa exige de Valmont uma prova escrita sobre o rendimento da Presidenta em troca de uma noite juntos.

A obra literária trabalha com a estrutura epistolar, de forma que a história seja contada a partir do encadeamento de pequenas narrativas. O leitor depende das confissões dos próprios personagens para se atualizar sobre o romance, não há um narrador que faça isso por ele.

Quanto à tragédia a que os personagens libertinos – Marquesa de Mertuil e Visconde de Valmont - são submetidos no desenlace, trata-se de uma punição por transgredirem tanto a moralidade da época, como a própria ordem do romance, expõe o filósofo Tzvetan Todorov.

O cenário e o figurino são características essenciais para o filme Relações Perigosas, pois esses elementos são capazes de dar veracidade à cena, traduzir diferentes costumes, além de diferenciar a moral de outro momento histórico. O ritual do vestuário como o uso dos espartilhos, das perucas e do pó-de-arroz é fundamental para se imaginar a antiga aristocracia francesa.

Apesar da supressão de alguns personagens presentes na obra escrita, como Prévan e Sophie Carnay, o filme conta com um renomado elenco para transpassar as características dos personagens principais do romance original para a tela. Glenn Close consegue fixar o olha dissimulado e manipulador da Marquesa de Merteuil e Uma Thurman, a inocência de Cécile. O poder da palavra encontrado na fala dos libertinos mostra-se mais forte no romance do que na versão cinematográfica, visto que neste a fala é auxiliada pelas imagens, tornando o diálogo mais suave.

Alguns aspectos entre o original e a versão também são destoantes – o futuro marido de Cécile no livro chama-se conde de Gercourt e no filme, Bastide; na obra de Laclos, a Presidenta de Tourvel vê o Visconde de Valmont em companhia de outra mulher dentro do carro na saída da ópera e não na casa dele; ao final, Cécile não se refugia no convento como no livro e a punição da Marquesa é muito mais branda para o cinema.

A trilha sonora composta por músicas clássicas incita um tom dramático, especialmente quando Valmont declara seu amor a Presidenta. Tratando-se da filmagem, as câmeras utilizadas procuram em um diálogo dar enfoque para o personagem que está ouvindo a notícia, captando sua reação.

De forma geral, o filme dá conta da narrativa, tornando-a mais fluída do que na obra original e dando agilidade aos acontecimentos.



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