
“Sujeito, o lado oculto do receptor”, coletânea organizada por Mauro Wilton de Sousa, analisa diferentes aspectos da recepção dos meios de comunicação. Escritos por professores e pesquisadores, mostra como o estudo das comunicações adquiriu, cada vez mais, um caráter interdisciplinar.
O primeiro texto, feito por Sousa, faz uma análise histórica dos estudos de recepção. Os estudos de comunicação, no início do século, evidenciam “a relação de predomínio do emissor sobre o receptor é a idéia que primeiro desponta, sugerindo uma relação básica de poder, em que a associação entre passividade e receptor é evidente”.
No caso brasileiro, os estudos sobre o tema estiveram, no princípio, vinculados a estudos de audiência, de opinião pública e de consumo. O Brasil importou, de um contexto sociocultural diferente, o norte-americano, as análises sobre os meios de comunicação e sua fruição. Esta visão funcionalista percebia o espectador como um receptor passivo de mensagens. Estudos mais detalhados e menos simplistas, no entanto, identificaram o espectador como fruidor de mensagens: de acordo com o contexto social, econômico, tecnológico, a mensagem é captada de uma maneira diferente.
Em outro texto, “Etnografia de audiência: uma discussão metodológica”, a antropóloga, Ondina Fachel Leal, disserta sobre os métodos de pesquisa para um estudo de recepção na analise do impacto social da novela das oito. As mediações, destrinchadas por Guillermo Orozco, são cruciais para a análise da interpretação da mensagem recebida pelo telespectador.
A interdisciplinaridade dos estudos da comunicação social mostra-se evidente, como no texto da psicóloga, Maria Rita Kehl, que analisa, sob o prisma da psicologia de Freud, a recepção de telespectadores por meio de um enfoque no público infantil. A autora utiliza-se desta experiência de fruição para explicar o predomínio da “cultura do espetáculo” nos meios de comunicação.
Um outro aspecto, conseqüência de uma sociedade intrincada aos meios de comunicação, é o da preservação e da difusão, ou não, de culturas distintas. Renato Ortiz, em “Modernidade e cultura”, evidenciou as possibilidades culturais da expansão global dos meios de comunicação. O tema é amplamente discutido e é uma das grandes polêmicas a respeito da globalização e suas conseqüências.
Já o texto de Sérgio Adorno, “Violência, ficção e realidade”, realiza uma relevante análise da importância dos dados da imprensa e de como a maneira de recepção dos espectadores molda o foco das mensagens transmitidas, em relação ao tema da violência.
A coletânea de textos buscou abranger a interdisciplinaridade dos estudos da recepção aos meios de comunicação e, apesar de algumas referências indiretas, conseguiu englobar os diversos aspectos referentes a esse assunto. Tanto para as ambições acadêmicas quanto para as públicas, que deveriam se confundir em vez de se afastarem.
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