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13/01/2010 - 13h52 - Atualizado em 18/05/2012 - 18h40

A construção do radialismo esportivo

Por Pedro Henrique dos Santos, aluno do 4º ano de Rádio e Televisão


Reprodução
A primeira narração de
futebol em 1931

O livro “A Bola no Ar – O Rádio Esportivo em São Paulo”, de Edileuza Soares, analisa a trajetória do radiojornalismo esportivo desde a primeira transmissão de um evento do gênero, em 1931, até o desenvolvimento, a profissionalização e a popularização do futebol paralelamente ao do rádio esportivo.

Nicolau Tuma é o precursor da narração de jogos. O primeiro foi entre as seleções de São Paulo e do Paraná, em 19 de Julho de 1931.

A partir de 1894, Charles Miller começou a difundir o novo esporte em seu clube, o São Paulo Athletic Club. Os novos jogadores começaram a se organizar em times e realizar campeonatos dentro de seus clubes, todos de elite. No início dos anos 1930, a profissionalização e a popularização eram as metas tanto do rádio como do futebol brasileiro.

A popularização se deu por meio dos imigrantes, que já conheciam o esporte na Europa. No início, a elite estabeleceu padrões para manter exclusividade, mas com o tempo notou-se que os menos favorecidos socialmente jogavam com muito mais vontade e, assim, as agremiações foram aos poucos aceitando membros de outras classes.

Já o rádio era sustentado por pessoas que tinham condições de se associar às emissoras e participar como contribuintes, assim a programação era voltada majoritariamente a elas.

A partir de 1932, quando foram autorizadas as propagandas, as emissoras começaram a ter programações mais apelativas à massa para terem maior lucro. Juntando-se o futebol ao rádio, criou-se um instrumento informativo alheio a política do governo da época, o que conquistou o público.

As primeiras transmissões esportivas eram bem simples. O narrador decorava as características físicas dos jogadores, pois as camisas não eram numeradas como atualmente. O speaker, como era denominado o narrador, descrevia todos os lances da partida sem qualquer intervenção de propagandas ou comentários e assim foi criando seu estilo “metralhadora” de narrar, depois consumado em todo o país. A persistência em realizar as narrações por parte dos locutores e de seus assistentes contribuiu para o desenvolvimento do jornalismo radiofônico brasileiro.

A Rádio Record, apesar de não ter sido a precursora, foi a que fez mais sucesso em narração futebolística, no início da década de 30, por conta de seus aparelhos de longo alcance para a época. Assim, foi possível em 5 de junho de 1938, Gagliano Neto transmitir o primeiro jogo diretamente da França, onde acontecia a 3ª Copa do Mundo, entre Brasil e Polônia.

A aceitação e o interesse do público em relação ao futebol foi crescendo exponencialmente. Instalaram-se cabines nos principais campos da cidade de São Paulo e começaram transmissões em cadeia com algumas estações do interior.

O rádio cresceu juntamente com o esporte no Brasil. De 1938, quando o Brasil conseguiu o terceiro lugar na Copa do Mundo, até 1962, com o Bicampeonato Mundial no Chile, passando ainda por títulos no boxe e no tênis, com Éder Jofre e Maria Esther Bueno, ambos viveram momentos de glória, conquistando de vez o público.

Assim como em qualquer outro meio de comunicação, o rádio também depende de patrocinadores pra funcionar. As coberturas de esportes precisavam de grande investimento, os gastos eram altos, comparados ao lucro, principalmente, devido à grande concorrência.

Com o surgimento do satélite, as emissoras foram beneficiadas,  a Bandeirantes, em 1990, passou a transmitir 24 horas em um canal exclusivo. A programação passou a ser nacional e possibilitou a cobertura de muitos eventos ao mesmo tempo.

O livro “A bola no ar”, de Edileuza Soares, descreve bem o que foi a evolução do jornalismo esportivo a partir do rádio, através de uma linguagem simples,  riqueza de dados e detalhes. Além disso, a publicação mostra sua importância pela carência de livros sobre o rádio.



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