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12/01/2010 - 12h37 - Atualizado em 19/05/2012 - 17h36

Os óculos por trás das obras-primas

Por Viviane Laubé, aluna do 2° ano de Jornalismo


Reprodução
Manhattan, de 1979

“Não é para me gabar, mas quando vi o desconhecido Woody Allen no cinema pela primeira vez, em 1966, num papel de coadjuvante em O Que é Que Há Gatinha?, senti nele, de estalo, algo de especial.” Dessa forma, inicia-se o prefácio, escrito por Ruy de Castro, da biografia Woody Allen, de Neusa Barbosa.

Nascido em 1935, no bairro do Brooklyn de Nova York, Allan Stewart Konigsberg – nome verdadeiro de Woody – começou sua carreira mandando frases, piadas, tiradas satíricas para os jornais da cidade, que lhe renderam reconhecimento dos colunistas e passaram a creditá-lo e até mesmo pagá-lo pelo que era publicado.

Allen conseguiu se destacar nas redações como criador de esquetes e monólogos e depois em palcos de teatro, como comediante stand-up, ao largar a carreira de escritor de programas de televisão. E antes de se tornar reconhecido como diretor, trabalhou em diversas produções de outros cineastas.

Woody Allen, na obra de Neusa, é visto como uma personagem de “cuidadosa elaboração, fruto de várias décadas de estudo” que, mesmo sem qualquer semelhança com um galã de cinema, é uma figura marcante no instante em que aparece na tela grande. As melhores produções foram realizadas na sua cidade natal que tanto ama. As cenas de “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” (1977) e “Manhattan” (1979) se passam nas ruas da cidade, o que foi uma grande inovação na época.

O diretor costuma sempre dar a última palavra sobre cada aspecto de seus filmes, seja a escolha de elenco, fotografia, figurino, música ou montagem. Assim, ele tem controle artístico sobre o que produz, sem se sujeitar a sessões de teste, em que o filme é projetado a plateias que vão dar o termômetro para a futura estréia.

A biografia conta a história cronologicamente, com ênfase do início de sua carreira até 2002. Neste mesmo ano a autora Neusa Barbosa conseguiu entrevistá-lo durante o Festival de Cannes, cuja abertura foi a reprodução de seu filme “Hollywood Ending” (2002).

A conversa, relatada na biografia, aborda diversas questões como o atentado às torres do World Trade Center em 2001, sua falta de disposição para viajar, a escolha dos atores para suas produções. bem como o festival de Cannes e o filme que ali exibiria.

Outro ponto marcante em Woody é seu interesse nas obras de brasileiros, como o poeta e músico Noel Rosa e o escritor Machado de Assis. Conforme descrito no livro, ele teria interesse em visitar o Brasil se “arranjasse um modo de ir com sua banda”, New Orleans Jazz Band, em que toca como clarinetista.

Neusa Barbosa pesquisou a fundo a personalidade, os gostos, as influências e o conjunto da obra realizada pelo diretor americano. Com linguagem fácil e que prende a atenção do leitor, a autora apresenta um Woody Allen simples, inteligente, criativo e prático. E capaz de criar filmes que caiam no gosto do público, com temas sérios, críticas mordazes e longos diálogos em que analisa os mais variados tipos de relacionamentos entre pessoas.

Ela convence que Woody não é somente um diretor experiente, com um vasto currículo, mas um artista com um grande diferencial: possui sensibilidade suficiente para enxergar detalhes e pensamentos despercebidos, transformando-os em intensos enredos regados de humor e drama.



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