Um ambiente completamente preto. Focos de meia luz iluminam imagens penduradas nas paredes e gaiolas de vidro que mostram manequins também revestidos de negro. Isso seria um tanto sinistro, não fosse pelo brilho que emana dos figurinos da exposição “Christian Lacroix: Trajes de Cena”. O salão redondo localizado logo na entrada dita o tom onírico de toda a exposição.
Todo revestido por um tecido branco que projeta trechos de filmes antigos com uma trilha sonora que vai de Carmem Miranda a sons tribais e músicas líricas que ecoam por todo o ambiente, o teto do salão é decorado com modelos de tutus, vestido característico em apresentações de balé, suspensos em constante movimento circular. No chão, diversas flores coloridas lembram o fim de uma apresentação de teatro.
Essa mesma idéia de alusão a uma cena teatral é aplicada às grandes gaiolas de vidro que exibem alguns dos trajes cênicos do estilista francês. Logo de entrada está a coleção do balé “Sherazade”, de temática árabe, a mais colorida e carnavalesca das coleções. As influências étnicas estão presentes em vários figurinos, alguns com sutileza, outros de forma gritante.
A preocupação com a reconstrução histórica cai para segundo plano em detrimento da estética. Peças como “Fedra”, que trata da história dessa personagem da mitologia grega, e “Eliogabalo”, sobre um o imperador romano, têm os figurinos calcados em referências independentes da temporalidade.
Por “Fedra”, que possui uma forte inspiração francesa com trajes dramáticos e bastante elaborados, Lacroix recebeu o prêmio Molière em 1995 de melhor figurinista. A atenção e a originalidade nos detalhes transparece na utilização de materiais não comumente na moda para se obter um efeito quase pictórico. Em “Eliogabalo”, cestas velhas servem de matéria prima para o figurino futurista.
Dente os destaques da exposição estão os manequins da peça “Espanha”, em que Lacroix explora novas formas e volumes. O exuberante e sombrio figurino da peça “Otelo” é um dos pontos mais altos em que o drama da obra de Shakespeare ganha vida em pesados e complexos trajes. Estes surpreendem nos detalhes inusitados, como pequenas placas de metal presentes na vestimenta de Iago, o vilão da peça.
Nas paredes, é possível entender o motivo pelo qual Lacroix é considerado por muitos críticos da moda “o mestre das cores”. Os croquis, rascunhos de projetos que mais tarde são colocados em prática, exibem obras que estão e não estão no Brasil. A habilidade do estilista em combinar as mais contrastantes cores e obter uma harmonia estética que vai do fantasioso ao delicado e feminino impressiona tanto entusiastas da moda quanto das artes plásticas. A exposição proporciona mais que uma simples apresentação das obras de Christian Lacroix e sim um gostinho da experiência teatral.
A exposição integra as comemorações do ano da França no Brasil e
é formada por 105 trajes e 80 croquis e estará no Brasil gratuitamente até dia 1? de novembro de 2009.
“Christian Lacroix: Trajes de Cena”
FAAP
Rua Alagoas, 903, Higienópolis, São Paulo.
Tel: (11) 3662-7198.
De terça à sexta, das 10h às 20h.
Sábados, domingos e feriados, das 13h às 17h.
Entrada Gratuita.
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