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11/01/2010 - 11h00 - Atualizado em 22/05/2012 - 04h40

Uma homenagem à Nouvelle Vague

Por Rodrigo Oliveira, Editor do site

"Em Paris" acolhe temas como a relação entre irmãos e o rompimento de um amor, que trazem o esclarecimento e consciência de uma vida à tona

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Reprodução
Os atores Marie-France
Pisier e Romain Duris

O retrato do dia 23 de dezembro de um ano qualquer, em uma família disfuncional, mas que à sua maneira tenta entrar nos eixos, é o que Christophe Honoré pretende com Em Paris.

O diretor logo no início da história direciona Jonathan – papel vivido por Louis Garrel, seu ator fetiche – como um narrador onisciente e onipresente. Ao aparecer na tela, ele confunde o espectador, gerando assim especulação desnecessária logo no começo da obra; mas pouco tempo depois, o personagem esclarece a situação, ao abandonar a narração dos fatos para interferir na história, tornando-se assim uma peça do longa.

Romain Duris é Paul, que mantém uma relação instável com a mulher Anna, interpretada por Joana Preiss. A todo instante ele é questionado sobre os sentimentos que nutre pela esposa. A dúvida os afasta, fazendo Paul partir, para tentar descobrir o que se passa em sua cabeça e não somente em seu coração. Ele decide se instalar uma temporada na casa do pai, onde mora Jonathan, o irmão mais novo, e se depara com modos distintos de encarar a vida.

A atmosfera do apartamento com vista para a Torre Eiffel sintetiza o refúgio que Paul criou para si. A fotografia pouco trabalhada, propositalmente, pelo diretor francês, mostra um ambiente insólito, onde deprimido, Paul hiberna a vontade de seguir em frente e decide ficar enclausurado no quarto do irmão, causando preocupação ao velho pai, papel de Guy Marchand.

Pelas ruas da cidade, Jonathan aproveita o dia, conhecendo uma jovem francesa inesperadamente, visitando a residência da mesma por alguns instantes. Com essas ações, Honoré consegue impor um clima sutilmente insinuante ao filme. Após o encontro, ele se depara com outra garota, só que com esta sai costumeiramente. O affair é correspondido e eles se entrosam. Para encerrar o dia e demonstrar o perfil de bon vivant, Jonathan investe em uma nova paixão instantânea, extrapolando assim a cota do dia.

Com as sequências de Garrel, Honoré despe o espectador da visão rasa que o rodeia e o convida para experimentar um pouco da irresponsabilidade desmedida, porém ingênua, que o personagem acolhe. É com esse tom de leveza que o diretor encerra o filme, demonstrando a união que existe entre os irmãos. Em um momento de comunhão, a história de um livro infantil desperta Paul, fazendo-o entender que a vida o aguarda, fechando um ciclo de reflexão.

Honoré brinca lindamente com a questão das possibilidades existentes em caminhos traçados por nós mesmos e as opções nem sempre sábias que tomamos. Com o trabalho, ele expõe a influência do movimento Nouvelle Vague no filme, por tratar de modo fidedigno as relações humanas e refletir sobre a maneira complexa como elas podem ser encaradas pelas pessoas, sem perder o aspecto terno característico do estilo.

A obra se centra na necessidade que temos de rotular os sentimentos e situações, sem perceber que o seguro de fato, não é o físico, palpável, audível, mas o que sentimos involuntariamente e percebemos através de atos realizados por quem nos quer bem.



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