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21/12/2009 - 10h14 - Atualizado em 20/05/2012 - 11h13

Terror da web 2.0

Por Andressa Trindade, aluna do 2º ano de Jornalismo

O universo digital discutido com intuito de causar reflexão

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Reprodução

Ao terminar de ler o livro O Culto do Amador surge um medo de fazer pesquisas no Google, baixar músicas pela internet e atualizar páginas em redes sociais. As opiniões de Andrew Keen, antes empresário do Vale do Silício e atual crítico da Web 2.0, são radicais e fundamentadas nos danos que a tecnologia da internet pode trazer de perverso para a vida.

Um dos temas abordados por Keen é a ideia da inteligência coletiva, isto é, o conhecimento compartilhado na internet. Se quisermos pesquisar sobre as viagens que o homem já fez à Lua ou sobre a Ditadura Militar brasileira, é só “dar um Google” considerado por muitos críticos e teóricos da mídia como o cérebro da sociedade.

Os grandes problemas, porém, referem-se à perda da individualidade intelectual e à hierarquização das informações disponíveis. Os algoritmos do site organizam os resultados das buscas com base no número de acessos que aquele link teve, ou seja, se uma página disponibiliza conteúdo de qualidade, mas não foi clicada por muitas pessoas, ela é quase excluída do convívio social do Google.

A questão dos downloads é encarada de forma rígida por Keen. Para ele qualquer tipo de pirataria digital, inclusive o Itunes, é uma maneira de descaracterizar e prejudicar a produção artística. Quando o cantor ou escritor não tem mais retorno financeiro pelo trabalho que faz, não há estímulo para que cultura de qualidade seja produzida e espalhada pelo mundo.

O amadorismo crescente na web 2.0 também prejudica, e muito, o funcionamento dos negócios da mídia. O MySpace é o principal alvo de críticas de Keen, que o classifica como um depósito de música pobre e de cantores sem o mínimo talento. Poucas são as bandas que sobem à superfície da internet e sobrevivem no mundo real. O grande problema é o internauta achar que conectado a essa rede social, está em contato com música e cultura de qualidade. Um dos grandes problemas da web 2.0:pensamos que tudo o que consumimos é bom e inquestionável.

Além dos prejuízos e manipulação da informação, a rede de computadores é um lugar perigoso e, mesmo assim, atraente e fascinante para o compartilhamento de nossas vidas. Facebook, Orkut, MySpace, Twitter, Youtube: expõem de alguma forma a vida do usuário. Seja por fotos, vídeos, recados, constantemente damos dicas para que sejamos enganados por desconhecidos. Inúmeros são os casos de pedofilia, falsificações, invasões a contas bancárias que vemos em todo o mundo.

Andrew Keen é, muitas vezes, exagerado e ácido demais nas críticas sobre o universo digital da web 2.0. Seus apontamentos, porém, são extremamente importantes e necessários para que possamos perceber o poder da internet em nossas vidas.



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