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10/12/2009 - 15h53 - Atualizado em 21/05/2012 - 19h00

Quando o negro é engraçado

Paulo Pacheco, aluno do 1º ano de Jornalismo


Amon Borges, Raphael Henrique, Gabriel Ramos, Felipe Tau, Priscilla Haikal e Fernando Cecconello tiveram um desafio: mostrar o racismo sem imagens. A série de reportagens para rádio Humor negro: os personagens que fizeram do preconceito uma piada foi avaliada pelo radialista da BandNews FM, Luiz Megale, pela professora da Cásper Líbero, Tatiana Ferraz, e pelo diretor de jornalismo da rádio CBN, Zallo Comucci.

A mesa gostou do acabamento técnico do trabalho, tendo em vista as dificuldades de se fazer um programa de rádio, mas não dispensou algumas ressalvas. Comucci revelou ter ouvido as cinco reportagens de uma só vez. “Nem vi o tempo passar”, confessou. Pediu, no entanto, um cuidado maior com a edição das matérias. “O ponto da edição era audível, isso dispersa a audiência”.

Sobre a abordagem do tema, o diretor da CBN elogiou a decisão dos alunos em abordar o tratamento superficial do negro como protagonista de novela, o que acontece, segundo ele, em Viver a Vida, atual folhetim das nove da Rede Globo. Voltando aos programas humorísticos, Comucci disse que gostaria de ouvir roteiristas e também criticou a escolha da trilha sonora com "músicas-clichê".

Para Megale, “vocês já estariam prontos agora”. Ele rebateu a última crítica de Comucci, falando bem das canções selecionadas e dizendo que “não dá para fugir do chavão”. Além disso, reconheceu a dificuldade de tratar do assunto sem imagens, elogiou a locução e o ritmo ágil proporcionado pelas sonoras curtas.

Megale ou para o ingresso tardio do tema em questão – os comediantes – e declarou que não daria tanto espaço ao recente caso envolvendo o humorista Danilo Gentili e a piada que comparava macacos a jogadores de futebol. “Se você não prender a atenção do ouvinte logo no primeiro bloco, você o perde”, aconselha.

Por fim, Tatiana Ferraz expôs suas considerações. Ela considerou como "ousado" o trabalho de usar o rádio como meio e também destacou a locução. “O rádio acabou com o ‘vozeirão’. A voz tem que passar simpatia”, comenta. A professora assinalou para a especificidade do título, pois, além de humoristas, atores foram requisitados. Na visão da professora da Cásper Líbero, no entanto, faltaram os cantores, afinal também são artistas.

Após elogios e observações, a banca deu seu veredicto: nota 9,5. E deu as boas-vindas aos recém-ingressos no mercado de trabalho.