Abraços Partidos, novo filme do diretor espanhol Pedro Almodóvar, trata das relações humanas mais profundas com delicadeza, assim como na maioria de seus filmes.
Lena (Penélope Cruz) é uma mulher atraente que quer ser atriz. Esposa do antigo e muito ciumento chefe. ela é escolhida para interpretar a protagonista no filme Garotas e Malas, do diretor Mateo Blanco (Lluís Homar). Infeliz no casamento, encontra em Mateo a paixão que não sente pelo marido, atraindo os dois homens, que não só a desejam, mas também passam a protegê-la, cada um a sua maneira. No começo do filme, fica sugerido que Mateo Blanco se tornará cego em algum momento da vida e mudará seu nome para Harry Caine. Lena, por sua vez, não passará de uma lembrança para ele.
O longa é uma homenagem do cineasta ao cinema, fazendo referências a outras produções e atrizes. O filme de Blanco, por exemplo, nos remete às tramas do próprio Almodóvar, com típicas cores intensas e cenas cômicas. Ao mesmo tempo, o marido de Lena grava cenas da mulher no trabalho, já desconfiando que ela o traía. Depois, assiste a gravação inteira, vigiando a esposa. A sequência rende uma das cenas mais fascinantes, quando a personagem de Penélope Cruz descobre que está sendo gravada e interage com o próprio filme.
As sequências são muito bem pensadas, prendendo o espectador, na ânsia de saber o que irá acontecer. O mistério da obra é sutil e revelado aos poucos, tornando claros os efeitos que os acontecimentos do passado tiveram no presente. Apesar do exagero em algumas cenas, não há tanto drama, como na maioria dos filmes do cineasta e mostra os problemas de forma mais corriqueira. Em maio, no Festival de Cannes, Almodóvar declarou ter visto em Harry Caine a oportunidade de relatar seu desejo de “fugir de si mesmo”, o que pode explicar o jeito atípico do cineasta de contar esta história.
Abraços Partidos é um filme sobre a perda e o perdão, sobre pessoas que já passaram por tantas situações na vida que não têm mais nada a perder e continuam colocando tudo em risco pelo amor e bem estar. Penélope Cruz contagia a história com sua beleza, mostrando a fragilidade de pessoas normais, que se expõem sem pensar no amanhã, mesmo que ele talvez nem exista.