Jacques Aumont é um dos principais teóricos do cinema na atualidade, de uma geração pós André Bazin que emergiu no final da década de 1960 na França.
No livro “A Imagem”, esta é considerada por Aumont a partir da explicação dos sistemas de funcionamento do olho e todos seus fatores determinantes, como transformações químicas e nervosas, movimentos oculares de ajustes, luminosidade, cor e contraste. Além de discutir a percepção do tempo, do espaço, do movimento e da imagem em relação às faculdades do cérebro humano.
As noções científicas são muito úteis para entender as reações de nosso sistema visual diante de algumas particularidades da imagem que podem influir em nossa compreensão. Como, por exemplo, a questão do tempo, que consegue criar ao olho uma ilusão de movimento pela sucessão de imagens.
O espectador usa seus olhos para olhar a imagem. O autor, por meio de modelos psicológicos, analisa funções psíquicas como intelecção, cognição, memória, aprendizado e desejo.
Através de um estudo da semiótica, Aumont relaciona a imagem com o real e como recebemos suas representações. Ela não possui sentido sozinha, depende do espectador, que a complementa com seu cabedal de conhecimento.
O livro também discute sobre ilusão, representação, impressão e efeitos de realidade e analisa a psicologia do espectador como um estudo antropológico das imagens. Assim, conclui-se que a imagem é ligada a estruturas de linguagem, cultura, sociedade, é uma representação do mundo e um meio de comunicação.
A ação do dispositivo rege a relação do espectador com a imagem em determinado contexto simbólico, ou seja, os meios e técnicas de produção, modo de circulação ou reprodução, que estão acessíveis, e suportes difusores, materiais e organização alteram e influenciam na compreensão de uma imagem.
É destacada a diferença entre o espaço da imagem em si e os espaços externos a ela, em que o espectador percebe as diferentes realidades em questão. A moldura é um recurso notável delimitador de espaços cheio de significados, assim como o próprio espaço físico onde se encontra a imagem, criando ambientes apropriados para a visualização pretendida.
Os fatores técnicos, como o enquadramento, são explicados quanto ao uso e intenção, paralelamente à percepção. Questões simbólicas e ideológicas da imagem dependem diretamente do dispositivo e sua técnica, o que pode mudar a forma de pensar do espectador. O dispositivo é um fator histórico que acompanha sua época e, quanto maior for sua história, maior será o conhecimento sobre ele.
A imagem produz significações e representações por si próprias, não centralizando a ação do espectador ou do dispositivo. O autor compara conceitos sobre imagem e seus significados, variáveis de espaço e de tempo e também reitera a importância de narrativa e suas relações espaço-temporais.
Ela pode ser considerada arte, quando inserida em um contexto de determinada esfera social. A arte, a partir de sua produção e objetivo, está acompanhada de um prazer sentido pelo espectador que, por sua vez, é indissociável ao prazer do próprio criador da imagem. Vista de outra forma, qualquer imagem pode ser considerada uma extensão da imagem artística, suscitando um olhar específico sobre algum tipo de realidade ou ideia.
As imagens influenciam na maneira de enxergar o mundo e interfere em conceitos cotidianos, ganhando novos significados e expressões, como a própria noção de apreciação da arte, que não existia até a dessacralização. Elas ganham novos sentidos, ideologias e papéis sociais e intelectuais, que mudam de acordo com um contexto histórico.
No entanto, apesar de vivermos sob um “bombardeio” de conteúdo visual, não vivemos em uma sociedade da imagem, de acordo com Aumont, mas em uma sociedade da linguagem, que se contrói através dos sentidos simbólicos encontrados nas diversas formas de expressão.