Lançada pelo quadrinista, Gilberto Maringoni, Tocaia é uma coletânea de HQs, que narra temas urbanos.
Na terça-feira, 13 de outubro, o professor da Faculdade Cásper Líbero, jornalista e escritor Gilberto Maringoni reservou a noite para lançar Tocaia na Livraria Maritins Fontes, seu segundo livro neste ano.
A obra é uma coletânea de quadrinhos de Maringoni, feitos entre 1989 e 2002. Com a obra, o desenhista tenta criar uma homogeneidade entre as histórias, a linguagem e o tratamento gráfico. Segundo ele, o desenho auxilia a contar as narrativas, que envolvem principalmente temas urbanos.
Para fazer quadrinhos, “é preciso se dedicar muito, fazer muitos desenhos, pesquisar o ambiente, a cultura daquilo que você vai desenhar, é algo leva um tempo muito grande”, comenta o autor.
Sobre ser quadrinista no Brasil, Maringoni aponta que o espaço é reduzido. Principalmente, porque o próprio espaço da imprensa diária para um pensamento crítico diminuiu.
Já sobre as HQs, ele identifica uma alteração no panorama brasileiro. Muitas vezes, para ter reconhecimento no Brasil, era preciso ter publicações fora do país. “Especialmente nos anos 1990, houve uma explosão dos quadrinhos na Espanha e na França. Era mais fácil publicar nesses países do que aqui. Lá os editores estavam abertos”, explica.
Durante o lançamento, Maringoni lembrou: “o quadrinho está passando por um renascimento no Brasil; as editoras de livros perceberam que existe um nicho de mercado do quadrinho, especialmente para adultos, e foi isso que fez o panorama mudar, para melhor, aqui no Brasil”, celebra.
Em 2009, o autor já havia publicado o livro A Revolução Venezuelana. E compara os dois trabalhos. “A função do quadrinista é quase a mesma do escritor: procurar conhecer a história para expressar melhor um momento. Tem que fazer pesquisas de ambiente, de personagem, de situações, de épocas. O principal é o roteiro. Não adianta o desenho ser excepcional se não há uma boa ideia”.
Maringoni esclarece que o motivo deste ano ter sido escolhido para tantas publicações foi o acúmulo de projetos que ficaram parados e coincidiram de ser acertados na mesma época. De acordo com ele, ainda deve haver mais um lançamento: “tenho outro livro pronto, de história econômica, e pode sair no fim desse ano”.