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28/06/2012 - 19h11 - Atualizado em 19/05/2013 - 17h19

Perca-se em Roma

Por Helena Dutt-Ross, editora do site

Para Roma, Com Amor é, como o título indica, um presente para a cidade

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Reprodução
Leopoldo Pisanello (Benigni) tenta escapar dos
papparazzi

Americano de nascimento, Woody Allen se apaixonou pela Europa. No filme que estreia nesta sexta, ele continua sua eurotrip: primeiro, a Inglaterra com Match Point; em seguida, Espanha em Vicky Cristina Barcelona; recentemente, a França com Meia Noite em Paris. E, agora, Allen te leva para a Itália com Para Roma, com Amor.

Essa caleidoscópica comédia romântica pode estar alguns degraus abaixo de seu parente francês, mas ainda é bastante divertida. Baseada vagamente sobre o Decamerão de Bocacchio (o título original do longa era Bop Decameron), o filme conta a história de quatro núcleos de pessoas interligadas unicamente pela cidade de Roma. Inicialmente realistas, os contos vão tomando contornos tão absurdos conforme se desenvolvem que chegam a beirar o surrealismo – e a Roma de Allen começa a se assemelhar à de Fellini.

Primeiramente, Hayley, uma turista (Alison Pill), e Michelangelo, um nativo, (Flavio Parenti) se conhecem nos degraus da Piazza de Spagna, apaixonam-se, ficam noivos e decidem apresentar seus pais: é em torno deste encontro que gira a história. Enquanto isso, John (Alec Baldwin) revive uma velha história de amor que viveu em Roma nos seus tempos de estudante, dando conselhos ao seu eu jovem que insiste em cometer os mesmos erros. Outro jovem casal, Antonio e Milly (Alessandro Tiberi e Alessandra Mastronardi), vem do interior para tentar uma vida na cidade grande, e ambos passarão, separados, por testes de fidelidade.

Por fim, talvez na melhor sequência das quatro, Roberto Benigni vive Leopoldo Pisanello, um cidadão italiano de classe média comum, casado, empregado em um escritório, pai de dois filhos, que passa por uma experiência kafkiana. Do dia para a noite, papparazzi começam a persegui-lo, telejornais requisitam entrevistas, fãs pedem seu autógrafo – sem que Leopoldo saiba o quê exatamente, o tornou tão famoso.

A dupla formada pelo próprio Allen e por Fabio Armilato, os pais do casal ítalo-americano, também rende excelentes momentos de comédia. Outra atuação que impressiona é a de Ellen Paige, que se transfigura lentamente de uma turista magricela em uma mulher fatal – mais através de diálogo do que propriamente curvas. E, ainda que o John mais velho faça questão de deixar óbvia a crueza ridícula de cada um dos seus atos, ela ainda fascina.

O mais fraco dos núcleos é o do casal provinciano Antonio e Milly. Diversas reclamações de italianos vêm pipocando nas redes sociais sobre o quão absurdo é dizer que os dois vem do interior quando eles têm um sotaque claramente romano, e o quão “estereótipo de comédia romântica italiana” é o segmento. Talvez você tenha que ser um nativo para saber essas coisas, mas não é difícil perceber que a história melhora muito quando Penelope Cruz entra em cena no papel da prostituta Anna, salvando o que, de outra forma, seria um segmento bastante insosso.

O filme mostra as delícias de se perder em uma cidade como Roma. Logo em uma das primeiras cenas, a personagem Hayley se perde em busca de um ponto turístico, acaba conhecendo Michelangelo e dá o pontapé inicial de uma das histórias; John se perde procurando a rua onde morou há trinta anos, onde começa outro dos quatro contos; por fim, Milly perde-se demoradamente ao longo de todo o filme, envolvendo-se em diversas experiências.

Talvez Para Roma, Com Amor possa ser classificado como um Woody Allen mediano, especialmente para suceder uma obra-prima como Meia Noite em Paris. Mas um Woody Allen mediano ainda significa que é um filme melhor que a maior parte da programação atual. Então, perca-se em Roma com os personagens e permita que o diretor te guie pelas histórias, tão intrincadas quanto as ruas desta cidade milenar.