“Os Mercenários” une pancadaria e sangue para agradar fãs nostálgicos
O longa Os Mercenários não foi feito para críticos de cinema, nem para pessoas que se preocupam com atuações e roteiros em todo filme que assistem. Foi realizado exclusivamente para os fãs da boa e velha ação dos anos 80 e começo dos 90. Ou seja, a obra é, de forma bem explícita, a carta de amor de Sylvester Stallone a um gênero que ele, juntamente com Arnold Schwarzenegger e Bruce Willis ajudaram a criar.
O cartaz diz o que esperar dele. Quando vemos nomes como o de Stallone acompanhado por Jason Statham, Terry Crews, Jet Li, Mickey Rourke e Dolph Lundgren, o espectador não aguarda um roteiro elaborado, reviravoltas à lá Jason Bourne, mas sim tiros, explosões, sangue e pancadaria. É assim que Stallone - ator e diretor que já provou seu pouco reconhecido talento - conduz a obra.
Na trama, o grupo de mercenários liderados por Barney Ross (Sylvester Stallone) é contratado para derrubar um ditador em uma pequena ilha na América do Sul. E isso é tudo que o público precisa saber, mas mesmo assim dizer que todo o roteiro de Stallone é ruim, não passa de uma injustiça. Na melhor cena sem tiros, Barney conversa com o amigo e “empresário” Tool (Mickey Rourke). A discussão revela um tema recorrente nas obras do ator diretor: como a guerra mata o homem por dentro.
O encontro dos três maiores ícones do cinema de ação é outro ponto alto. A cena em uma igreja que reúne Stallone, Willis e Schwarzenegger dura somente alguns minutos, mas já nasce clássica e se torna ainda melhor com a ironia e o prazer explícito que Stallone a escreve. Uma catarse única para os fãs de Rambo, T-800 e John McClane. Complementando há a participação especial dos irmãos Nogueira, dois dos lutadores mais famosos do UFC (Ultimate Fight Championchip).
A ação do longa é crua, brutal, exagerada e direta, como estourar a cabeça de alguém com balas que explodem ou arremessar facas e cortar gargantas como se fossem manteiga. O que deve ser mencionado também é a luta entre as personagens de Ludgren e Li, pois ocorre um contraste maravilhoso entre dois estilos de luta; bem coreografada e convincente. O embate de Randy Couture e Steve Austin, com um final extremamente cruel, é um deleite para fãs da boa e velha luta livre. Quanto ao par principal, Stallone e Statham, todas as as cenas de ação passam a mensagem necessária: eles são muito bons naquilo que fazem.
Os Mercenários é uma injeção de testosterona na veia. Algo tão grande e ao mesmo tempo despretensioso que é preciso ser muito mal humorado para reclamar a respeito do filme. Se a obra fosse amplamente elogiada pela crítica, algo estaria, de fato, errado. O longa não foi feito para fazer sucesso nos dias de hoje, onde Jacobs e Edwards são os modelos de masculinidade. Foi realizado para deixar seus fãs nostálgicos e felizes. E alcança isto com a maestria que poucas pessoas, além de Sylvester Stallone, conseguiriam.
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