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EDITORIAL


"De olhos fixos no futuro, jamais voltaremos" *

 

A trajetória não é apenas um modo de ir.
A trajetória somos nós mesmos
.”
Clarice Lispector

 


Ganhar um diploma universitário implica, muitas vezes, também perder algumas coisas, dentre as quais:

  • o contato freqüente com amigos e colegas;
  • o exercício diário da prontidão intelectual, por meio, por exemplo, da obrigatoriedade de ler textos e debater idéias que dificilmente fariam parte de uma área de interesse espontâneo;
  • a possibilidade de conceber e desenvolver projetos profissionais inventivos e ousados com a garantia do âmbito experimental;
  • o contato visual e sensorial com aqueles tipos humanos, objetos e cenários observados cotidianamente durante o percurso da casa ou do trabalho até a faculdade;
  • a confortável condição de aluno, um indivíduo que consegue desviar-se de inúmeras cobranças e pressões simplesmente por estar desempenhando o papel de um “ser em formação”.

Passado, então, aquele tempo de aventuras e descobertas – a que bem mais tarde costuma-se atribuir a aura de “os melhores anos de nossas vidas” –, é chegada a hora de fazer escolhas ou ajustar caminhos. Muitas vezes, o aluno, depois de formado, amplia suas perspectivas profissionais, dando início, ou mesmo continuidade, a uma sólida carreira em ascensão. É possível também que ele potencialize seus horizontes intelectuais, descobrindo uma vocação acadêmica voltada à pesquisa ou ao ensino. E há também aqueles que, pelos mais variados motivos, acabam mantendo-se à margem dos resultados diretos que a formação universitária pode proporcionar, atuando, por exemplo, em empregos não relacionados à carreira escolhida.

Depois de contabilizados perdas e ganhos, escolhas e ajustes, os anos de formação universitária podem figurar nos projetos de vida dos ex-alunos sob uma perspectiva retrospectiva – à la samba carioca (“Foi um rio que passou em minha vida”) – ou prospectiva, no melhor estilo Clube da Esquina (“Nada será como antes”).

Para os dispostos a olhar em direção ao futuro, é preciso saber praticar as chamadas ações inteligentes. Administrar melhor o tempo; elaborar e cumprir planos autônomos de estudo, ler mais ou estudar línguas estrangeiras são algumas delas.

Em vez de se angustiar diante da grande questão “O que fazer daqui para frente?”, o ex-aluno pode simplesmente tentar responder, de tempos em tempos, a estas três simples perguntas encadeadas: “Como estou hoje?”, “Como gostaria de estar?” e “O que tenho feito para isso?”.

Quem sabe, assim, ele não esteja apto a adquirir um bom tíquete para fazer uma longa viagem.

* Liv Ullmann, atriz e diretora norueguesa, em sua autobiografia “Mutações”.

 

A Direção



 
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